11 de março de 2026
Politica

Master: O que diz o Código de Ética feito em contrato milionário pelo escritório da mulher de Moraes

Um ano antes de o escândalo do Banco Master expor conexões suspeitas nos três Poderes e Daniel Vorcaro ser fichado em um presídio federal de segurança máxima, o banqueiro lançou um “novo código de ética” na companhia. O primeiro item do documento era Vorcaro pregando que “a ética e a transparência são pilares fundamentais”.

O “Código de Ética e Conduta Banco Master” foi gestado dentro do escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, de propriedade de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes.

O escritório diz ter sido contratado pelo Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. A redação final do guia moral, datada de março de 2025, é assinada por Ana Cláudia Consani de Moraes, consultora da banca.

Naquele mês, o Banco Central (BC) aprofundava as investigações sobre a venda de R$ 12,2 bilhões em créditos podres do Master para o Banco de Brasília (BRB), segundo a autoridade monetária e a Polícia Federal (PF).

Com ilustrações genéricas e pouco elaboradas, o documento tem 34 páginas, cinco seções e dedica uma área específica ao tema “corrupção”.

A advogada Viviane Barci, mulher do ministro do STF Alexandre de Moraes, em cerimônia no plenário da Corte
A advogada Viviane Barci, mulher do ministro do STF Alexandre de Moraes, em cerimônia no plenário da Corte

O mandamento sobre a corrupção

No documento que em tese deveria servir de norte moral para a companhia, há um item dedicado ao combate a desvios financeiros e relacionamentos escusos com agentes públicos.

“Nossos colaboradores estão proibidos de ofertar, prometer ou receber quaisquer valores ou vantagens, como forma de iniciar, manter ou influenciar negócios ou operações financeiras”, afirma o código de ética.

Nesse trecho, todos os integrantes do Master ainda se comprometem a “agir com ética, integridade e transparência em toda a condução de nossos negócios”.

A orientação vai na contramão do que o próprio Vorcaro fazia, de acordo com as investigações da PF. A PF aponta que Vorcaro integra uma “organização criminosa” de “profissionais do crime”, chamada de “A Turma”, que usa violência e coação como uma “milícia privada”.

Como mostrou a Coluna do Estadão, o banqueiro escreveu em conversas por aplicativo com a namorada, Martha Graeff, que já deu festas com 300 garotas de programa, e que isso fazia parte de seu “business” (negócio, em inglês). No fim de fevereiro, o Tribunal de Contas da União (TCU) pediu ao STF eventuais provas sobre a participação de autoridades federais em festas de Vorcaro.

Mensagens mostram conexões de Vorcaro com Moraes

As mensagens no celular de Vorcaro mencionam reuniões do dono do Master com Moraes; o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB); e o senador Ciro Nogueira (PP-PI). O material aponta ainda contatos de Vorcaro com outras figuras públicas, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-governador João Doria e o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha.

O banqueiro relatou encontros com o ministro do STF e afirmou que ele esteve em sua casa em reunião com Hugo Motta e Ciro Nogueira. Em 19 de abril de 2025, Vorcaro diz a Martha Graeff: “To indo encontrar Alexandre Moraes aqui perto de casa”.

Ela pergunta: “Como assim? Ele tá em Campos??? Ou foi pra te ver?”. Vorcaro, então, respondeu: “Ele tá passando feriado”. A referência é à cidade de Campos do Jordão (SP), onde Vorcaro é sócio de um hotel de luxo.

Depois, em 29 de abril de 2025, o banqueiro faz uma chamada de vídeo com a namorada. Após o encerramento do vídeo, ela lhe pergunta: “Quem era o primeiro cara?”. Vorcaro responde: “Alexandre Moraes”.

 

 

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