11 de março de 2026
Politica

Pelo ‘direito xandônico’, Moraes destruiu provas e teria algo a esconder

Muito blábláblá. Muitas notas truncadas, com negativas de alcance limitado, em que os não ditos se impõem – e para o que se usou até a Secretaria de Comunicação do STF. Para catimbar. Alexandre de Moraes não nega que falara com Daniel Vorcaro no dia em que o banqueiro foi preso. Por que Moraes falava com Vorcaro no dia em que o banqueiro seria preso?

Segundo o direito xandônico, qual critério sentenciador Xandão aplicaria a Moraes, tendo o ministro apagado as respostas a Vorcaro? “(…) o ato de apagar dados do celular também indica uma consciência sobre a ilegalidade dos atos praticados pelo agente, na medida que, se o indivíduo tivesse plena convicção de sua inocência, não teria motivos para eliminar registros que poderiam confirmar sua versão dos fatos. A destruição de provas, nesse contexto, reforça a percepção de que havia algo a esconder.” Assim escreveu Xandão para condenar Débora “do batom”.

Alexandre de Moraes, ministro do STF, está envolto em polêmicas por mensagens trocadas com Daniel Vorcaro
Alexandre de Moraes, ministro do STF, está envolto em polêmicas por mensagens trocadas com Daniel Vorcaro

Pelo direito xandônico, Moraes destruiu provas e teria algo a esconder. Em vez de puxar a carta super trunfo – a que interdita o debate – do 8 de janeiro permanente, a do “se criticar, o golpe vem”, tudo tornado ataque ao STF salvador da pátria, seria agora o momento, sempre sob a lógica invertida do código xandônico, de Moraes apresentar o que respondeu a Vorcaro para lhe rechaçar o assédio.

Poderia até ser algo humano, que contemplasse a nossa fraqueza: “O senhor está me estranhando. Está confundindo as relações. Não é porque tem o escritório de minha esposa sob contrato de R$ 3,6 milhões mensais, nem porque fumamos charutos na sua casa, que pode me abordar dessa forma, como se lhe devesse algo. Não sou seu prestador de serviços.” (Xandão teria mandado prender o interlocutor no ato.)

Por que Vorcaro tratava com Moraes no dia em que seria preso, não sendo o ministro um de seus advogados? Por que Vorcaro tratava com Moraes no dia em que seria preso, sabedor o banqueiro – em função de sua milícia ter violado o sistema da PF – de que existia um inquérito na Justiça Federal do DF e talvez de que medidas cautelares contra si já haviam sido autorizadas? “Conseguiu ter notícia ou bloquear?” – cobrou Vorcaro a um ministro do Suprema. O dono do Master tinha milhões de razões para acreditar que aquele que bloqueara o X/Twitter no Brasil poderia ajudá-lo a bloquear qualquer coisa. Não jogavam vôlei.

Esqueça-se o conteúdo das mensagens de Vorcaro a Moraes conforme divulgado por Malu Gaspar, material “extraído e periciado” pela PF. Finjamos que não foi Moraes que Vorcaro pressionou sobre se conseguira “bloquear”. Por que Moraes, não lhe sendo advogado, falava com Vorcaro no dia em que o banqueiro seria preso? Esqueça-se que conversaram naquele 17 de novembro – o que nem o ministro nega. Por que conversavam? Por que conversariam um ministro do STF e Vorcaro? Esqueça-se também a existência do contrato de R$ 130 milhões – valor que permanece inexplicável – do escritório da mulher do ministro com o banco do investigado. Do que tratavam?

 

 

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