Caso Master prova que fake news nunca foi monopólio da direita
Qual tem sido a reação comum de militantes de esquerda em relação ao escândalo do Banco Master, que empurrou para vala dos suspeitos uma quantidade razoável de gente da nossa elite, de todas as ideologias? A resposta seria: apelar para as fake news. Nos tempos antigos, conhecidas simplesmente como mentiras.
Foi possível observar o turbilhão nas redes desde que o banco foi liquidado, em novembro do ano passado. Negaram a existência do contrato de R$ 129 milhões da esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, com o Banco Master até onde foi possível. Confrontados com os fatos, após três meses, agora consideram o tal contrato como perfeitamente legal, legítimo e até pertinente.
Até porque já partiram para outras fake news, como espalhar que o Alexandre de Moraes presentes nas conversas via aplicativo WhatsApp com o banqueiro/mafioso Daniel Vorcaro era um contador… E assim irão mantendo versões fantasiosas sobre os acontecimentos, até a casa cair novamente e ser necessário inventar outra coisa.

Soma-se às lorotas a enorme agressividade contra quem está aí na labuta para desvendar os esquemas. Quase todo repórter que trouxe novidades sobre o caso recebeu seu quinhão de ofensas nas redes. A mais curiosa delas foi ser chamado de “Lavajatista”, como se o enorme esquema de bilhões desviados nunca tivesse existido, fosse uma ficção – o que seria mais uma fake news.
Na nossa República maniqueísta, por um tempo ficou decretado que fake news era coisa de “extrema-direita”. Envolviam questões como “cloroquina”, “vacinas”, “kit gay” e muitas outras numa longa lista. Ilusão.
O caso Master mostra que a mentira é algo ecumênico. Quanto mais ideológica a pessoa, mais ela tende a acreditar no que confirma as suas crenças e ser cético com o que não confirma. Colhemos fatos de maneira enviesada. Utilizamos os que nos interessam mais, minimizamos ou ignorarmos os que podem destruir nossas teses. Para recontar uma história damos ênfase a alguns pontos que nos interessam mais e escondemos o que ignoramos. Sonegamos fatos que podem prejudicar a maneira como vemos as coisas.
Para muita gente, inclusive, as explicações da esposa de Moraes sobre o que justificava um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master foi suficiente para convencer – mesmo que o valor do serviço fosse fora dos padrões – conforme mostrou este Estadão.
Agora, pelo menos, o jogo está mais equilibrado. Ninguém que simpatiza com um dos dois maiores grupos que dividem o País poderá bater no peito e dizer “nós estamos com a verdade e o outro lado mente”. Ambos têm suas mentiras de estimação. Afora isso, nesse país de contradições, estamos à espera de Alexandre de Moraes colocar no seu eterno inquérito das “fake news” as mentiras que o favoreçam.
