PT muda estratégia após revés e compara tratamento dado a Lulinha e a Flávio pelos pais presidentes
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O avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas últimas pesquisas de intenção de voto para a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez o PT dar uma guinada em sua estratégia. Agora, o partido lançará uma ofensiva nas redes sociais para comparar como Lula tem agido diante de suspeitas sobre o seu filho Fábio Luís, o Lulinha, e como o ex-presidente Jair Bolsonaro atuou em relação a acusações contra Flávio.
Em um dos vídeos, Bolsonaro aparece admitindo a blindagem a seus filhos. À época, Flávio era investigado, sob acusação de comandar um esquema de “rachadinha” – quando era deputado estadual no Rio – para se apropriar de parte dos salários de funcionários do seu gabinete.
“Eu não vou esperar f…. a minha família toda de sacanagem, ou amigo meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence à estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele. Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro!”, afirma Bolsonaro, numa reunião ministerial realizada em 22 de abril de 2020.
Dois dias depois, o então ministro da Justiça, Sérgio Moro – hoje senador –, pediu demissão, acusando o presidente de tentar interferir na Polícia Federal.

Na tentativa de marcar a diferença, o vídeo produzido pelo PT traz trechos de declarações de Lula em defesa das diligências da Polícia Federal sobre o desvio de recursos das aposentadorias do INSS. “Se tiver filho meu metido nisso, ele será investigado”, diz o presidente.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino suspendeu depois a quebra de sigilo bancário, fiscal e telemático de Lulinha pela CPI do INSS. Mas o processo, sob sigilo, vem sendo feito na esfera do STF, por autorização do ministro André Mendonça.
Na nova ofensiva do PT, que entrará nas redes sociais, o secretário de Comunicação do partido, Éden Valadares, minimiza o crescimento de Flávio, mesmo sem citar o nome dele, apesar da preocupação com o desempenho inesperado do senador.
“É só sair pesquisa eleitoral e as torcidas reagem, né? Quem está na frente comemora, quem está atrás se desespera. Mas pesquisa é foto do momento. Não é razão nem para alegria, nem agonia”, avalia o secretário de Comunicação do PT, numa referência ao último levantamento do Datafolha, que mostra o filho de Bolsonaro se aproximando de Lula. “Eleição no Brasil não é análise de pesquisa. Eleição é a disputa entre blocos históricos: um do Brasil que tudo tem; o outro, o Brasil para quem tudo foi negado”.
Em conversas reservadas, porém, ministros admitem que, até agora, o governo e o PT não conseguiram contra-atacar à altura aliados de Flávio na CPI do INSS, onde Lulinha virou alvo, e nem jogar o escândalo do Banco Master no colo dos bolsonaristas.
À Coluna, um interlocutor de Lula afirmou que, enquanto não houver “um rosto” para associar às falcatruas do Master, o governo ficará “sangrando” em praça pública.
A estratégia adotada pelo PT de vincular Daniel Vorcaro aos bolsonaristas não surtiu efeito porque, como se viu nos últimos dias, o banqueiro – preso na Penitenciária Federal de Brasília – tinha o alfabeto inteiro do Congresso, do Supremo Tribunal Federal (STF) e de vários governos em sua lista de contatos.
No Palácio do Planalto, ministros asseguram que Lula não está disposto a defender ninguém, muito menos Dias Toffoli – indicado por ele para o STF em 2009. Tanto é assim que, como mostrou a Coluna, deu carta branca para o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, investigar a relação de Toffoli com Vorcaro.
Em recente conversa por telefone com Lulinha, que mora na Espanha, o presidente disse que o filho precisa prestar esclarecimentos o quanto antes. Na ligação, Lula citou até mesmo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o vice-presidente, Geraldo Alckmin.
“Ninguém tem dúvida sobre a seriedade e a idoneidade do Alckmin e do Haddad. Mas, se alguém falar alguma coisa sobre eles, vão ter de explicar”, afirmou Lula, de acordo com relatos de duas pessoas que presenciaram a conversa por telefone.
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