Ala do PT culpa Planalto por desaprovação de Lula e diz que governo precisa ‘voltar das férias’
BRASÍLIA – As últimas pesquisas de intenção de voto foram classificadas nas fileiras do PT como “uma tragédia”. Nos bastidores, dirigentes do partido culpam o governo pela queda de popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva e afirmam que o Palácio do Planalto precisa “voltar das férias”. A expressão foi usada em uma reunião a portas fechadas, recentemente, para demonstrar o descontentamento com os rumos do terceiro mandato de Lula.
O presidente disse a aliados, porém, que escândalos como o do Banco Master têm servido como “biombo” para esconder as realizações do governo e acha que o desempenho do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal adversário, já bateu no “teto”.
Levantamento divulgado nesta quarta-feira, 11, pela Genial/Quaest mostrou que Flávio está empatado com o presidente em uma simulação de segundo turno da disputa presidencial. Os dois aparecem agora com 41%. Além disso, Flávio cresceu e Lula caiu no grupo de eleitores que se diz independente.

A sondagem indica uma tendência já prevista pelo Datafolha: ao contrário do que o governo imaginava, a pré-candidatura do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro está ganhando terreno.
Diante desse cenário, a cúpula do PT mudou a estratégia e começou a atacar Flávio nas redes sociais. A ideia é apresentar o que petistas chamam de “Flávio de verdade”, e não o das mídias digitais. A partir de agora, grupos de militantes petistas vão expor várias acusações envolvendo o nome do senador.
Na lista estão o escândalo da “rachadinha” – que, de acordo com o Ministério Público do Rio, consistia na apropriação de parte dos salários dos funcionários do gabinete de Flávio quando ele era deputado estadual – até denúncias de conexão com milícias e lavagem de dinheiro.
“A eleição de 2026 será uma das mais duras da história do Brasil. Mas temos convicção e certeza da vitória, porque, quando o debate chegar à vida real do povo brasileiro, a comparação entre os projetos falará mais alto”, afirmou o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). “Flávio Bolsonaro já está em campanha, enquanto Lula está preocupado em governar o País.”
Para o Palácio do Planalto, eleitores não têm enxergado o menor nível de desemprego da história nem bons indicadores da economia porque debitam na conta do governo todos os escândalos de corrupção desta temporada.
Monitoramentos de redes sociais que chegaram ao Planalto mostram algumas percepções que respaldam essa avaliação. Uma delas é a seguinte: como o Supremo Tribunal Federal (STF) foi atingido em cheio pela teia de irregularidades comandada por Daniel Vorcaro, dono do Master – e a Corte é aliada de Lula –, a culpa por todos os malfeitos é do governo.
Dirigentes do PT avaliam, no entanto, que o governo demostra letargia desde o fim do recesso de fim de ano e não apresenta uma agenda positiva. O diagnóstico de uma ala do partido é que Lula precisa apresentar sua “prateleira de boas notícias” e não correr atrás de uma bala de prata.
Até hoje petistas demonstram inconformismo com a teimosia do presidente ao rejeitar conselhos de assessores para não ir ao desfile das escolas de samba no Rio. A Acadêmicos de Niterói, que homenageou Lula, ironizou os neoconservadores e evangélicos se sentiram ofendidos com a ala que apresentava “família em conserva”.
Os evangélicos representam aproximadamente 30% do eleitorado e todas as pesquisas revelam que o apoio ao presidente vem caindo cada vez mais nesse segmento. Na avaliação do comando petista, a presença de Lula na Avenida Marquês de Sapucaí foi “um tiro no pé”, coroado pelo rebaixamento da escola de samba.
Como mostrou o Estadão, deputados do PT que integram a bancada em defesa do Movimento dos Sem-Terra (MST) também têm feito críticas ao governo Lula.
“Está difícil fazer campanha para Lula na agricultura familiar. O Banco do Brasil é uma tragédia. A Sicredi (Sistema de Crédito Cooperativo) é outra. É um comitê contra o governo federal”, disse o deputado Marcon (PT-RS) na semana passada, durante reunião com outros colegas e o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira. “O povo está bravo com nós mesmos. Nós somos vaiados quando vamos falar”, reclamou.
