Coaf diz que empresa de ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões do Master e da Reag
BRASÍLIA – Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que chegou à CPI do Crime Organizado mostra que a empresa A&M Consultoria Ltda., pertencente ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto, vice-presidente do União Brasil, recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da Reag Investimentos. O Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, está no centro de um escândalo envolvendo fraude no sistema financeiro.
Candidato ao governo da Bahia, ACM Neto confirma os pagamentos, mas diz que a quantia recebida é fruto de um serviço de consultoria em gestão empresarial prestado por ele após as eleições de 2022, quando não exercia mais cargos públicos. Naquele ano, o ex-prefeito de Salvador perdeu a disputa para Jerônimo Rodrigues (PT), que agora é candidato a novo mandato.
“Quando os contratos foram feitos, essas empresas estavam dentre as principais instituições financeiras do País”, disse ele em vídeo publicado nas redes sociais. “Não pairava sobre essas empresas nenhum tipo de investigação, de apuração, de dúvida”.

A informação sobre os pagamentos foi publicada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão. Segundo dados do Coaf, a A&M Consultoria Ltda. recebeu, entre 15 de junho de 2023 a 3 de maio de 2024, R$ 1,8 milhão do Master, em doze parcelas. Já a Reag, alvo de denúncias de envolvimento com o crime organizado, fez treze transferências, totalizando R$ 1,83 milhão.
ACM Neto afirmou que há “manipulação política” de seus adversários no caso e pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Procuradoria-Geral da República que investiguem o “vazamento seletivo” de dados sigilosos.
A empresa de ACM Neto foi aberta em 28 de dezembro de 2022, com capital social de R$ 2 mil, em nome dele e de sua mulher, Mariana Almeida Barreto de Magalhães. De acordo com o relatório do Coaf, “a empresa movimentou recursos expressivos, acima de sua capacidade financeira declarada”.
O ex-prefeito de Salvador disse que os contratos firmados com o Master e a Reag foram feitos “de maneira transparente”, com recolhimento de impostos. Em nota, ACM Neto afirmou, ainda, que os trabalhos de consultoria foram “efetivamente executados” e eram relacionados, sobretudo, à “análise da agenda político-econômica nacional”, sendo “materializados em diversas reuniões com o corpo técnico e jurídico dos contratantes”.
