Salvador sedia evento com equipes de mais cinco prefeituras para debater soluções contra o calor extremo

Foto: Bruno Concha / Secom PMS
Reportagem: Ana Virgínia Vilalva / Secom PMS
Salvador recebeu nesta quarta-feira (11) uma visita técnica do Acelerador de Soluções para o Calor Urbano, promovida pela organização WRI Brasil, com equipes das prefeituras de Campinas (SP), Florianópolis (SC), Fortaleza (CE), Recife (PE) e Teresina (PI). O evento teve como objetivo discutir projetos que empregam soluções sustentáveis e baseadas na natureza contra o calor extremo.
Por meio da Secretaria Municipal de Sustentabilidade e Resiliência (Secis), a Prefeitura de Salvador apresentou experiências locais que demonstram como a infraestrutura verde pode contribuir para melhorar o microclima urbano, reduzir temperaturas e gerar benefícios socioambientais.
Pela manhã, a missão participou de um encontro na sede da Secis, no Comércio, onde puderam conhecer ações aplicadas no próprio edifício da secretaria, como telhados e fachadas verdes, além de discutir estratégias municipais de adaptação climática.
A agenda na capital baiana também inclui visitas ao Centro de Interpretação da Mata Atlântica (Cima), no Bonfim, e ao Corredor Verde implantado na Avenida Manoel Dias da Silva, na Pituba.
Para o titular da Secis, Ivan Euler, o intercâmbio entre as grandes cidades é fundamental, por serem as regiões com maior adensamento e, portanto, as que mais têm sofrido com as ilhas de calor. “O WRI está trazendo equipes de outras cidades para Salvador, para conhecer as nossas experiências, principalmente o Corredor Verde, que é uma novidade no Brasil, de plantar árvores adultas em uma região já adensada. Vamos falar um pouco também de outros projetos nossos, como as hortas e pomares urbanos, os nossos parques, e o Cima, que além de ser um parque, é um espaço de preservação da Mata Atlântica”, pontuou o secretário.
As cidades participantes do encontro desenvolvem projetos com apoio da WRI, por meio de consultores especialistas, em busca de soluções para diminuir as ilhas de calor
Segundo Bruno Incau, coordenador da área de financiamento e economia urbana do WRI Brasil, a ideia da missão técnica surgiu dentro do projeto Acelerador de Soluções para o Calor Urbano, que conta com as cidades de Recife, Campinas, Teresina, Florianópolis e Fortaleza.
“Nós sentimos a necessidade de conhecer in loco alguns projetos. E Salvador despontou como um exemplo nacional para essas cidades poderem trocar ideias e melhorarem os seus próprios projetos”, apontou Incau.
Ações – O coordenador do WRI também citou a importância dos corredores verdes. “A estratégia de plantio de árvores adultas é inovadora nessa área. Às vezes, a população não tem a percepção do projeto até que a planta cresça. Os representantes das cidades querem muito aprender sobre isso, além das próprias intervenções no edifício da Secis, que podem ser replicadas em outras cidades”, afirmou.
Também foram apresentadas iniciativas como o pátio naturalizado, implantado em escolas da rede municipal; o Plano de Contingência para Altas Temperaturas, da Defesa Civil de Salvador (Codesal); e o projeto Mané Dendê.
Para Cibele Assmann, gerente de Inovação da Secretaria de Planejamento, Habitação e Desenvolvimento da Prefeitura de Florianópolis, a visita é importante para o debate entre as cidades. “Conseguimos conhecer a realidade das outras cidades e, principalmente, ver in loco como Salvador está avançando. E a oportunidade veio exatamente através do Acelerador do WRI, que proporcionou às cidades se juntarem aqui para poder trocar essas experiências”, disse.
Florianópolis, inclusive, tem trabalhado na implantação de corredores verdes, segundo a gerente. “Nosso foco é trazer corredores para uma região da cidade com mais de 90% de área urbanizada, com pouca vegetação. A ideia veio exatamente do Corredor Verde em Salvador. A expectativa é grande, e estamos muito surpresos com o que já vimos”, afirmou Cibele.
Desafio – O calor extremo tem se tornado um dos desafios climáticos mais urgentes nas cidades. No Brasil, estudos indicam que ondas de calor contribuíram para até 55 mil mortes entre 2000 e 2018.
“Esse fenômeno afeta especialmente áreas urbanas densas e com pouca arborização, onde vivem majoritariamente populações de menor renda. Apesar da urgência, muitos municípios ainda enfrentam dificuldades para estruturar projetos financiáveis de adaptação climática, o que limita o acesso a recursos disponíveis para implementação”, explica Incau.
Financiadores – O Acelerador de Soluções para o Calor Urbano é uma iniciativa do WRI Brasil que apoia municípios na estruturação de projetos capazes de reduzir os impactos do calor extremo nas áreas urbanas e aumentar seu potencial de captação de recursos para implementação. Além de participar de missões de intercâmbio, as cidades recebem capacitação técnica, mentoria especializada e acesso a ferramentas de dados climáticos, fortalecendo a qualidade técnica e financeira dos projetos.
Além das visitas, a programação em Salvador inclui oficinas colaborativas voltadas ao aprimoramento dos projetos das cidades participantes.
Em maio, as cinco cidades devem apresentar seus projetos a instituições financeiras em um evento nacional que conectará projetos sustentáveis a oportunidades de financiamento.
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