11 de março de 2026
Politica

Se blindagem a Toffoli e Moraes resistir, destino dos ministros vai ficar nas mãos do eleitor

A crise do Banco Master está chegando ao eleitor. Pesquisa divulgada nesta quarta-feira, 11, pela Meio/Ideia traz dados reveladores.

Do total dos eleitores ouvidos, 48% conhecem as suspeitas que pairam sobre Daniel Vorcaro e 30% não têm certeza – um percentual alto para algo que começou com uma fraude financeira de um banco médio.

Dos que conhecem o caso, 70% o associam ao Supremo Tribunal Federal e dizem que sua credibilidade fica abalada. E o dado mais importante: 44% afirmam que o caso aumenta a sua chance de votar em um senador que apoie o impeachment de um ministro do STF.

Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, ministros do Supremo Tribunal Federal
Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, ministros do Supremo Tribunal Federal

Mesmo antes da explosão do escândalo, a direita já trabalha intensamente para eleger uma forte bancada de senadores e deputados. Essa disposição só vai aumentar.

Outras pesquisas também mostraram que nada aglutina mais esse campo ideológico do que a indignação com o Supremo – nem mesmo a anistia para os condenados do 8 de janeiro ou a libertação do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Circula nos meios jurídicos e políticos a avaliação de que ainda há muito material a ser investigado e divulgado sobre as relações entre os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes – e não só deles, mas de outras figuras importantes da República – com Vorcaro.

A PF está iniciando a perícia dos oito celulares do ex-banqueiro. A oposição também se movimenta com CPIs e solicitação de dados à Justiça. Vai ser impossível conter os vazamentos para a imprensa.

Também cresce a percepção de que, se continuar preso no presídio da Papuda, em Brasília, numa cela de seis metros quadrados, pode aumentar o incentivo para que Vorcaro feche uma delação premiada diretamente com a Polícia Federal, com o aval do ministro André Mendonça.

Mendonça vem enfrentando muitas dificuldades, já que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se recusa a investigar o caso. Aliado de Moraes, Gonet foge de seu papel institucional, mesmo alertado pela PF e provocado a se manifestar pelo relator.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara, Hugo Motta, também colaboram para a blindagem. Esvaziam o Congresso e se recusam a abrir as CPIs.

Com a imagem colada em Toffoli e Moraes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enxerga seu capital eleitoral derreter. No entanto, com uma relação já turbulenta com o Congresso, não tem condições de abrir outra frente de batalha com figuras importantes no STF.

O que a pesquisa Meio/Ideia mostra, no entanto, é que se o sistema insistir em blindar os envolvidos, não vai resistir ao eleitor. Nas eleições de outubro, o eleitor é soberano e pode punir os envolvidos.

Ainda assim, não será fácil. O ministro Gilmar Mendes alterou a Lei do impeachment de 1950 e agora exige para tirar um ministro do Supremo maioria qualificada de 54 senadores no total de 81.

 

 

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