Lula perde vantagem entre os independentes em meio ao aumento da preocupação com a corrupção
Os dados da pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta-feira,11, mostram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vem perdendo a vantagem que tinha entre os eleitores independentes, aqueles que tendem a decidir a eleição e que davam a ele uma pequena folga sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL). O movimento, que empurra a eleição para o empate que temos visto atualmente, coincide com a alta da preocupação dessa parcela do eleitorado com a corrupção, em meio aos escândalos envolvendo o Banco Master e autoridades da República.
Pouco importa aqui o fato de que o escândalo tende a ser suprapartidário. A sensação geral de que o País está imerso em corrupção e relações espúrias tende a ampliar um desejo de mudança que joga contra quem está no poder, o que corrói a vantagem de Lula neste momento da disputa.
Soma-se a isso o fato de que o foco está hoje sobre dois ministros do STF (um indicado por Lula e outro que é algoz de Bolsonaro). Para 59% dos eleitores, segundo a mesma pesquisa, o STF é aliado do governo Lula. Só 26% discordam. Isso oferece ao brasileiro a impressão de que o escândalo está mais perto da esquerda do que da direita.
O grupo dos independentes não é inexpressivo como os dados de polarização podem fazer crer. No caso da pesquisa Genial/Quaest, eles são estimados em 32%. Para efeito de comparação, no conjunto do eleitorado, são 33% os que se consideram lulistas ou esquerdistas não lulistas, e 33% os que se dizem bolsonaristas ou direitistas não bolsonaristas. É como se o País estivesse dividido em três grandes blocos.
Como os polos à esquerda e a direita pouco se movem de uma eleição para outra, são os independentes, a depender de sua motivação, que tendem a definir de fato quem vencerá a corrida eleitoral. Nos meses anteriores, eles se mostravam mais afeitos a Lula. O cenário virou na pesquisa de março, ao menos numericamente.
Quando se olha para o segundo turno, hoje, 32% desse grupo diz que votará em Flávio, contra 27% que diz preferir Lula. Considerando o tamanho da amostra para esse público, trata-se de um empate técnico. Mas em janeiro, ou seja, duas pesquisas atrás, eram 37% os que votariam em Lula e 21% os que votariam em Flávio.
A piora de Lula neste grupo vem junto com o aumento da percepção de que a corrupção é a maior preocupação no Brasil atual. No conjunto geral do eleitorado, o tema avançou de 17% para 20% das citações, atrás apenas da violência, que está em 27% atualmente. Entre os independentes, porém, a mudança foi maior. Entre fevereiro e março, passaram de 16% para 24% os que apontam a corrupção como a maior preocupação do País. Um empate técnico com a violência, citada agora por 25%.
Nesse ponto, os independentes estão mais parecidos com os direitistas (24% elencam a corrupção como maior problema) e bolsonaristas (29% têm essa posição). Na esquerda lulista, só 10% citam a corrupção como principal problema. Na esquerda não lulista, são apenas 5%.
A perda de fôlego do petista no conjunto mais ao centro é reforçada pelas respostas sobre características de Flávio e Lula, que são incluídas na pesquisa. Entre os independentes, são 75% os eleitores que discordam da afirmação de que Lula é honesto, contra só 15% que concordam. Em relação a Flávio, 14% concordam com a afirmação de que ele é honesto e 70% acham que ele não é.
Os números são próximos, mas é exatamente a proximidade entre os dois que tira a vantagem de Lula, dado que, na maioria das outras questões, o petista se sai melhor entre os independentes. Ele é considerado um líder mais forte (43% a 32%), mais sensível (38% a 20%), que se preocupa mais com as pessoas (32% a 18%) e mais competente (31% a 24%). Lula e Flávio só se igualam nesse público também no questionamento se eles têm princípios (32% de Lula a 30% de Flávio) e se são radicais (39% para o petista e 40% para o bolsonarista).
Aliás, em relação ao questionamento sobre o radicalismo de cada um deles, a guinada do petista mais esquerda no discurso e na defesa de pautas também pode acabar igualando os dois. Hoje, Lula ainda tem vantagem.
Se no conjunto geral do eleitorado 42% acham o petista mais moderado que o PT (contra 43% que não acham), entre os independentes são 34% os que o veem mais moderado que o partido dele, contra 44% que não acham.
Com Flávio a situação é pior. No conjunto geral do eleitorado, 38% acham que ele é mais moderado do que o restante da família, enquanto 48% não acreditam nisso. Entre os independentes, são só 28% os que vem mais moderação no senador do que nos familiares dele, contra 53% os que não veem.
Ainda restam sete meses antes das eleições e o cenário até lá ainda vai embaralhar um pouco as coisas. Mas a permanência do escândalo do Master e o fortalecimento da polarização e de posições radicais tendem a compensar um pouco o peso da máquina para tornar a eleição disputada até o final e decidida nos detalhes. Pelos independentes.
