12 de março de 2026
Politica

Zanin vê ‘deficiências relevantes’ e rejeita ação para abrir CPI do Master

O ministro Cristiano Zanin rejeitou nesta quinta, 12, o pedido apresentado pelo deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) relacionado à criação de uma CPI na Câmara dos Deputados para investigar o banco Master.

Na noite de ontem, 11, Zanin foi sorteado relator da ação que pede a instalação da CPI do Master. O sorteio ocorreu logo após o ministro Dias Toffoli declarar suspeição para a condução dos autos alegando ‘foro íntimo’.

Na percepção do ministro Cristiano Zanin, 'há deficiências relevantes' no pedido do deputado Rodrigo Rollemberg
Na percepção do ministro Cristiano Zanin, ‘há deficiências relevantes’ no pedido do deputado Rodrigo Rollemberg

A questão da CPI no Supremo, apresentada por Rollemberg, solicita a abertura da comissão para apurar suspeitas de fraudes envolvendo a negociação da compra do Master pelo Banco de Brasília.

Na petição enviada ao Supremo, o deputado afirma que há um “ato omissivo inconstitucional” do presidente da Câmara, Hugo Motta, ao não instalar a CPI destinada a investigar “as fraudes ocorridas na relação entre o Master e o BRB”.

Ao negar o pedido do deputado, Zanin afirmou que “em casos dessa natureza, já decidi que o impetrante (Rollemberg), ao afirmar ato omissivo contra Presidente de Casa Legislativa, deve trazer prova pré-constituída e inequívoca da omissão inconstitucional imputada à autoridade pública”.

“Enfatizo, por isso mesmo, que a presente decisão em hipótese alguma afasta a prerrogativa da Câmara dos Deputados de instaurar a pretendida comissão parlamentar de inquérito paralelamente às investigações que tramitam perante o Supremo Tribunal Federal sob a relatoria do eminente Ministro André Mendonça, como é público e notório, desde que atendidos os requisitos necessários para essa finalidade”, sustentou Zanin na decisão.

Cabe agora à presidência da Câmara avaliar se o pedido cumpre as exigências formais para a criação de uma comissão parlamentar de inquérito e decidir como a solicitação irá tramitar.

Na avaliação do deputado Rollemberg, a investigação tem relevância nacional “inquestionável”, já que, segundo ele, o escândalo indicaria ligações “profundas e preocupantes” do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, com integrantes dos três poderes.

Deputado Rodrigo Rollemberg afirma que há um 'ato omissivo inconstitucional' do presidente da Câmara, Hugo Motta, ao não instalar a CPI
Deputado Rodrigo Rollemberg afirma que há um ‘ato omissivo inconstitucional’ do presidente da Câmara, Hugo Motta, ao não instalar a CPI

O pedido do parlamentar sustenta que, uma vez cumpridos os três requisitos constitucionais – apresentação de requerimento por um terço dos deputados, indicação de fato determinado e definição de prazo para investigação -, a instalação da CPI passa a ser um ato obrigatório da Presidência da Câmara, e não uma decisão discricionária de Motta.

O ministro foi taxativo sobre uma suposta omissão de Motta. “Há deficiências relevantes na instrução do mandado de segurança que sequer permitem aferir, neste momento e de plano, omissão ou ‘resistência pessoal’ da autoridade.”

“Com efeito, ausente demonstração clara de violação de disposições constitucionais pela deficiência da instrução da petição inicial, não vislumbro a possibilidade de o Poder Judiciário emitir uma determinação ao Poder Legislativo, ‘sob pena de ostensivo desrespeito à Separação de Poderes, por intromissão política do Judiciário no Legislativo’”, decidiu Zanin.

 

 

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