26 de março de 2026
Politica

Papo de avião

Tenho viajado com frequência, especialmente para os Estados Unidos. Costumo fazer o trecho Porto Alegre – Cidade do Panamá – Washington. São voos longos e, como geralmente viajo sozinho, estou sempre com um estranho como vizinho de poltrona. Tenho o hábito de puxar papo, mas, em tempos de hiperconexão, às vezes o companheiro do lado já embarca com os fones de ouvido — e assim fica o voo inteiro. Nesse caso, o recado está dado: não tem conversa.

Felizmente, na maioria dos meus voos, a experiência tem sido boa. Depois de um cumprimento cordial, entabulo uma conversa que segue até um pouco depois da decolagem. Já com o avião em altitude de cruzeiro, normalmente um dos dois pega um livro ou um tablet — um sinal de que a conversa terminou. É hora de ler, assistir a um filme ou simplesmente dormir.

Outro dia, li um artigo interessante no Wall Street Journal sobre a etiqueta no uso de headphones e airpods – aquelas coisinhas brancas que o pessoal usa enfiado nos ouvidos. Estes aparatos são reconhecidos exatamente como um sinal universal de “não perturbe”. A matéria dizia que é perfeitamente aceitável usá-los sentado ao lado de alguém no avião, mas é rude mantê-los se você estiver interagindo com alguém frente a frente. Já no trabalho, enquanto os fones ajudam a manter o foco, também podem passar a impressão de que você é uma pessoa de “poucos amigos”.

Por sorte e por estar desconectado do mundo digital, tive a oportunidade de conhecer muita gente interessante nessas viagens. Só na última que fiz, conheci um colombiano de Medellín que me deu ótimas dicas sobre livros; um construtor de Nova Iorque muito falante que, sempre que pode, escapa do tumulto de Manhattan para curtir a vida nas praias do Caribe e, ainda por cima, tive a honra de voar ao lado do atual Ministro da Economia e Finanças do Panamá — aliás, uma pessoa educadíssima e muito preparada. Conversamos durante uma boa parte do voo. A economia panamenha, ao que parece, está em ótimas mãos.

Para finalizar, gostaria de deixar claro que não tenho nada contra fones de ouvido – muito antes pelo contrário. Gosto de usar meus fones para ouvir música, podcasts e me atualizar sobre as notícias do dia. Entretanto, também aprecio conhecer gente nova, apreender sobre outros lugares e culturas e, principalmente, ter um bom papo de avião.

 

 

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