26 de março de 2026
Politica

Dois em cada três brasileiros veem envolvimento de ministros do STF no caso Master, mostra pesquisa

Pesquisa AtlasIntel/Estadão divulgada nesta sexta-feira, 20, mostra que 66,1% dos brasileiros acreditam que há envolvimento direto de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso do Banco Master. Outros 14,9% afirmam que não há participação, enquanto 18,9% dizem não saber.

O levantamento revela uma percepção majoritária de ligação entre integrantes da Corte e o caso, em meio a uma série de revelações e investigações recentes envolvendo a instituição financeira, que colocaram os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes no centro das atenções.

Para o professor do Insper Luiz Gomes Esteves, esse cenário compromete a percepção de imparcialidade do Judiciário. Na avaliação dele, o caso Banco Master evidencia fragilidades na atuação dos ministros, com relações pessoais e financeiras que não deveriam ocorrer. Esses fatores, diz, aumentam a percepção de que os juízes da Corte atuam por meio de uma lógica mais política do que técnica. “A imparcialidade parece comprometida, e isso afeta a credibilidade das decisões.”

No caso de Toffoli, as críticas à sua atuação se intensificaram desde que ele assumiu a relatoria do inquérito envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central diante de suspeitas de fraudes financeiras.

Desde então, o ministro adotou uma série de medidas que foram alvo de questionamentos por investigadores e por integrantes do meio jurídico. Entre elas a determinação de que materiais apreendidos na Operação Compliance Zero permanecessem sob custódia do STF; a realização de acareações em fase inicial do inquérito; a definição direta de peritos; e a fixação de prazos considerados exíguos para análise de provas.

Ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal
Ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal

“Várias decisões foram tomadas, e as justificativas apresentadas não eram convincentes para as medidas adotadas”, avalia o professor, que destaca que esse tipo de decisão reforça a percepção de que ministros têm atuado de forma semelhante a agentes políticos, o que ajuda a explicar a queda de confiança no tribunal.

Na sequência, o Estadão revelou que irmãos do ministro haviam cedido participação no resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), a um fundo ligado à Reag Investimentos, investigada por abrigar estruturas associadas ao Banco Master. Posteriormente, o próprio Toffoli admitiria que é sócio da empresa. O jornal também mostrou que o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, é o responsável pelos fundos que adquiriram parte dessas cotas, avaliadas, à época, em R$ 6,6 milhões.

Além das revelações, um relatório produzido pela Polícia Federal, com base em dados extraídos do celular de Vorcaro, apontou possíveis conexões entre o empresário e o ministro e contribuiu para que Toffoli deixasse a relatoria do caso.

A pesquisa mostrou que 82,4% dos brasileiros consideram que Toffoli tinha que se declarar suspeito e deixar mesmo a relatoria. Outros 6,1% acham que não.

Em outra frente, o ministro Alexandre de Moraes também passou a ser alvo de críticas após a revelação pela jornalista Malu Gastpar, de O Globo, de que o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e seus dois filhos mantinham contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master. Na última semana, também vieram à tona informações de que o ministro trocou mensagens com Vorcaro no dia da prisão do empresário, em novembro de 2025.

A pesquisa AtlasIntel ouviu 2.090 brasileiros adultos entre os dias 16 e 19 de março de 2026, por meio de questionários aplicados pela internet. O levantamento tem margem de erro de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.

 

 

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