26 de março de 2026
Politica

Escudo Gilmar evidencia a impossibilidade de que ministros do STF sejam investigados

O acordo sério que se urde não é o de delação. É o de empastelamento. Para que nunca saibamos o que se comprou quando comprada aquela parte do hotel. Para que nunca saibamos o que se contratou quando contratado aquele escritório de advocacia. (Ou aquela consultoria.) Para que nunca saibamos do que tratavam quando tratavam sobre bloquear algo.

O caso Master bateu no teto – nas togas – das possibilidades investigativas deste país. E a história nos ensina que aqui paramos. O caso Master chegou ao Supremo e o Brasil voltou ao lugar em que decidirá pela acomodação; o que significa asfixiar a investigação. Chegamos de novo – a história se repete – a Dias Toffoli, vários “os amigos dos amigos” de alguém que precisa ter a ação contra si bloqueada. Vários agora os que precisam ter as ações contra si bloqueadas.

Não é a história que se repete. A história nos ensina. Não saímos do lugar. Desse lugar tendo saído – por Dias Toffoli, para Dias Toffoli – o inquérito xandônico onipresente e infinito. Desde esse lugar tendo se procedido – por Dias Toffoli – à destruição de provas sobre corrupção. Dias Toffoli é a fachada. Expressão de que o limite se aproxima.

Chegou-se ao momento em que advogado de provável delator precisa garantir que a colaboração do cliente será “séria”. Garantia necessária porque o banqueiro passara a testar mercados sobre a hipótese de uma delação seletiva, poupados ministros do Supremo. Não há mesmo estímulos para que fale de suas relações com Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Nunes Marques, membros do tribunal que homologará o seu acordo e que o julgará. Os dois primeiros ainda membros do clube do uísque londrino de Vorcaro, em cuja mesa também se sentaram Paulo Gonet e Andrei Rodrigues, chefes das instituições portas-de-entrada à delação.

Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, citados em episódios do caso Master, ao lado de Gilmar Mendes, que tem adotado postura para barrar apurações nas CPIs
Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, citados em episódios do caso Master, ao lado de Gilmar Mendes, que tem adotado postura para barrar apurações nas CPIs

Não voltamos ao mesmo lugar. Nunca saímos do lugar. Não há razões para crer em que seja séria a delação. Estão aí as gestões de Gilmar Mendes – baixado o escudo Gilmar – para evidenciar a impossibilidade de que ministros do STF sejam investigados. Ele tranca a Corte e manda recados. Não se pode saber nem quanto nem de quem a empresa de Dias Toffoli recebeu em suas transações com a teia vorcárica. Tampouco se pode saber quanto e a quem o fundo sócio da empresa de Dias Toffoli pagou – fundo que nos levará à Reag, enredada na Operação Carbono Oculto, sobre trânsitos entre PCC e mercado financeiro.

Mendes criou uma prevenção-puxadinho para si – relator-blindador de tudo quanto se refira à busca por dados sobre relações de ministros-empresários com Vorcaro. Dias Toffoli – a proteção a Dias Toffoli – sendo apenas objeto de partida. O cerceamento à prerrogativa investigatória das CPIs, apenas parte do projeto. O recado é também ao banqueiro. Não valerá o esforço.

Entregar políticos do centrão bolsonarista, governadores ferrados, o PT baiano e burocratas do Banco Central é fácil – e o acordo que se tece poderia fazer ser suficiente. A delação de Vorcaro só será séria se detalhar também as suas relações e de seus zetteis com ministros do STF. Não será.

 

 

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