26 de março de 2026
Politica

Herança da Lava Jato contamina STF, Vorcaro e movimento por delação

Daniel Vorcaro vai falar o que sabe ou não? O possível acordo de delação premiada do banqueiro está na ordem do dia dos gabinetes da capital federal. Seja por medo do seu alcance, seja pela torcida de ver o adversário enredado na lama.

O dono do Master está preso e nesta quinta-feira, 19, foi transferido para a Superintendência da PF, numa indicação de que as tratativas estão sendo feitas.

Hoje, investiga-se até onde foram seus tentáculos para operar um banco com contabilidade turbinada para atrair clientes sob promessa de lucro aparentemente fácil. Vorcaro deu presentes a políticos, bancou negócios de irmãos de um ministro do Supremo Tribunal Federal e contratou a mulher de outro.

A Polícia Federal transfere Daniel Vorcaro para a Penitenciária Federal em Brasília
A Polícia Federal transfere Daniel Vorcaro para a Penitenciária Federal em Brasília

Dias Toffoli e seus irmãos têm laços em investimentos que chegam até o banqueiro. O caso ruidoso acabou por afastar o ministro de votar no STF. Já Alexandre de Moraes teve a mulher a serviço do mesmo banqueiro e segue sustentando o status de que não tem o que temer.

Mas e se Vorcaro abrir o bico completamente? Para chegar nesse ponto são necessários alguns pré-requisitos que a operação Lava Jato ensinou ao mundo jurídico nacional.

O preso se dobra e põe-se a falar se não vislumbra chance de sair da cela. Ou seja, o banqueiro só assume a posição de delator se mantido preso.

Se migrar para domiciliar, seria o mesmo que dizer adeus à confissão.

Há também o risco de termos um delator seletivo. Do tipo que só apresenta provas contra quem quer. Contra quem de fato deveria indicar pode deixar de lado, alegando que não tem provas suficientes para mostrar.

A situação se complica por conta dos personagens envolvidos. Uma parte do próprio STF está de molho porque andou trocando conversas e fazendo negócios com o banqueiro. A outra parte da corte parece dividida entre aqueles que gostariam de livrar o tribunal do noticiário policial e os que preferem proteger os colegas, seja por que motivação for.

Para além dos processos e investigações que tramitam na própria corte, duas CPIs, a do INSS e a do Crime Organizado, miram nos magistrados. As tentativas de colocar Moraes e Toffoli como alvos têm sido barradas por decisões do mesmo STF.

O esgarçamento político está dado. Em ano de eleição presidencial, dificilmente o clima se amorna. No máximo as atenções podem se voltar para outro local, para uma nova crise, um novo escândalo. Ainda assim restará um STF com imagem pública corroída pela ação de seus próprios pares.

 

 

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