26 de março de 2026
Politica

Caso Master: CGU abre processo contra servidores do BC investigados por receber ‘mesada’ de Vorcaro

A Controladoria-Geral da União (CGU) abriu nesta segunda-feira, 23, Processos Administrativos Disciplinares (PADs) contra dois servidores do Banco Central (BC) investigados pela Polícia Federal (PF) no caso Master por receber “mesadas” do dono do banco, Daniel Vorcaro. Ao fim da apuração administrativa, o ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio de Souza Neves e o ex-chefe de Supervisão Bancária Belline Santana podem ser expulsos do serviço público. Procurada, a CGU não respondeu.

A decisão da CGU teve como base a investigação que o BC compartilhou no último dia 10 sobre os dois servidores, que foram afastados do cargo pela autoridade monetária em janeiro. Eles seguem recebendo salário normalmente – Bellini aufere R$ 46 mil e Paulo Sérgio, R$ 39 mil.

ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza e do ex-chefe de departamento de Supervisão Bancária do BC Belline Santana
ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza e do ex-chefe de departamento de Supervisão Bancária do BC Belline Santana

Segundo a PF, os ex-gestores do Banco Central eram “consultores informais” do Master dentro do órgão público e receberam vantagens indevidas para atrapalhar a investigação sobre o banco de Vorcaro, que está preso e negocia uma delação premiada.

Paulo Sérgio Neves de Souza é suspeito de ter vendido uma fazenda de café por R$ 3 milhões a um fundo de investimentos ligado ao cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel.

O relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça, afirmou em uma decisão no início do mês que Paulo Sérgio era “uma espécie de empregado/consultor” para assuntos privados de Vorcaro.

“Nas mensagens de WhatsApp trocadas entre Daniel Vorcaro e Belinne Santana, também servidor do BC, percebe-se o mesmo tipo de relação que aquela verificada com Paulo Sérgio”, acrescentou Mendonça.

Além dos pagamentos, há “forte indício” de que Vorcaro o ajudou em uma viagem para a Disney, em Orlando, nos Estados Unidos, conforme o magistrado.

“Além de tais pagamentos, outro forte indício de que Vorcaro corrompia Paulo Sérgio pode ser identificado a partir de troca de mensagens realizadas por Vorcaro, ao saber, por meio de mensagem de whatsapp do próprio Paulo Sérgio, de uma viagem que o referido servidor do Bacen faria aos parques de diversão localizados em Orlando (EUA), dentre eles Parques da Disney e da Universal. Vorcaro chega a comentar em mensagem reproduzida na fl. 54 que precisaria ‘arrumar guia para essas pessoas”.

Vorcaro pedia orientações a dirigentes do BC, diz PF

As investigações apontam que Vorcaro pedia orientações estratégicas sobre a condução de reuniões institucionais, elaboração de documentos e abordagem a temas sensíveis perante o Banco Central. Em uma mensagem, Vorcaro parabenizou Paulo Sérgio por ter sido nomeado para um cargo de chefia no órgão.

O ex-diretor Paulo Sérgio Neves de Souza teria repassado informações do Banco Central a Vorcaro sobre movimentações financeiras consideradas suspeitas pelo órgão regulador, de acordo com o ministro do Supremo.

 

 

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