26 de março de 2026
Politica

Gilmar vê ‘complexidade’ e leva ao plenário debate sobre afastamento de governadores pelo STJ

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, determinou que o plenário da Corte analise os critérios adotados pelo Superior Tribunal de Justiça para afastar governadores. A decisão ocorre em ação ajuizada pelo Solidariedade, que vê insegurança jurídica nas diferentes interpretações do STJ sobre a aplicação de medidas cautelares contra chefes do Executivo estadual.

A decisão de Gilmar cita “a complexidade e a relevância” do tema ao adotar o rito previsto no artigo 12 da Lei 9.868/1999, que permite ao relator de uma ação direta de inconstitucionalidade encaminhar o processo diretamente ao plenário para julgamento definitivo, após as manifestações do Advogado-Geral da União e do Procurador-Geral da República no prazo de cinco dias.

Gilmar Mendes determinou que o plenário da Corte analise os critérios adotados pelo Superior Tribunal de Justiça para afastar governadores
Gilmar Mendes determinou que o plenário da Corte analise os critérios adotados pelo Superior Tribunal de Justiça para afastar governadores

Nesse caso, a liminar do ministro não será analisada pelos ministros e o Supremo deve julgar diretamente o mérito da ação. O Solidariedade defende que o afastamento de governadores só ocorra após o recebimento de denúncia baseada em fatos contemporâneos ao mandato, por decisão colegiada do Superior Tribunal de Justiça e por prazo máximo de 180 dias.

Ainda não há data definida para que o plenário do Supremo julgue o mérito da ação.

“Não se pode admitir que governadores sejam coercitivamente retirados do exercício da função em razão de investigações de fatos que não guardam contemporaneidade com o mandato popular em curso”, sustenta o Solidariedade.

“Na atual sistemática, como já narrado, um ministro do Superior Tribunal de Justiça possui o poder de afastar monocraticamente um Governador e, além disso, tal afastamento pode ser por tempo indeterminado”, argumenta a legenda.

O Solidariedade alega que o STJ tem apresentado interpretações diferentes dos dispositivos legais para a aplicação de medidas cautelares contra governadores.

O partido cita, como exemplo, o afastamento do governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), determinado em 3 de setembro deste ano e que retonrou ao cargo em dezembro passado por decisão do ministro Nunes Marques.

Wanderlei Barbosa (Republicanos) foi rconduzido ao cargo após liminar do ministro do Supremo, Kassio Nunes Marques
Wanderlei Barbosa (Republicanos) foi rconduzido ao cargo após liminar do ministro do Supremo, Kassio Nunes Marques

Barbosa foi afastado do cargo por suspeita de envolvimento em uma organização criminosa que desviou mais de R$ 73 milhões destinados à compra de cestas básicas durante a pandemia da Covid-19. A decisão do STJ apontou fraudes em licitações e lavagem de dinheiro, com a participação de sua mulher e aliados. O governador nega os ilícitos.

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *