30 de março de 2026
Salvador

Roda de conversa aborda participação feminina no sistema de transporte público de Salvador

Foto: Bruno Concha/ Secom PMS

Texto: Ana Virgínia Vilalva e Marco Pìtangueira/ Secom PMS

Em meio às ações do mês dedicado às mulheres, a Prefeitura de Salvador promoveu uma roda de conversa para discutir a presença e rotina feminina no sistema de transporte público da capital baiana. O encontro aconteceu na manhã desta segunda-feira (30), na Casa da Mulher Brasileira, no Caminho das Árvores.

A programação, realizada pelas secretarias de Mobilidade (Semob) e de Políticas para as Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ), integra o projeto Mulheres no Volante, que visa ampliar a participação das mulheres em um setor historicamente dominado por homens.

Desde 2020, o município desenvolve a iniciativa, que oferece capacitação técnica gratuita para interessadas que desejam tirar a primeira habilitação ou efetuar mudança de categoria. Além disso, o encaminhamento ao mercado de trabalho é outro benefício do projeto, que conta com parceria do Sest/Senat.

A secretária da SPMJ, Fernanda Lordelo, destacou a importância do evento em trazer a conscientização de que as mulheres podem ocupar os espaços que quiserem, sobretudo no sistema de mobilidade. Ela contou que a roda de conversa também serviu fundamentalmente para entender o dia a dia e desafios das profissionais que atuam no setor.

“O papel desse momento é oferecer amparo, escutar e sair com encaminhamentos a partir do que foi dito. Ainda há muito a melhorar, mas já evoluímos bastante. Salvador era uma das capitais com o menor índice de mulheres no sistema de mobilidade há três anos. Mesmo que o índice não tenha chegado ao ideal, a perspectiva é dar essa diversidade e transformar todo esse sistema em algo mais acolhedor, mais atrativo, visto que 65% das pessoas que usam transporte coletivo são mulheres e crianças”, destacou Fernanda.

A coordenadora de Sistemas Inteligentes da Semob, Taline Costa, explicou o significado da roda de conversas no projeto Mulheres no Volante. Além da inclusão, ela reforçou que o intuito é reunir mulheres recém-habilitadas com outras mais experientes para uma troca de experiências.

“O objetivo principal é ouvir as principais barreiras, desafios e oportunidades dentro da profissão, para que possamos construir novas ações dentro do programa, tornando-o mais atrativo e convidativo para novas mulheres. Hoje, na reunião, tivemos 15 mulheres entre motoristas e recém-habilitadas, além dos representantes dos órgãos e instituições que fazem parte do grupo de trabalho”, disse Taline.

Referências – Primeira mulher a dirigir um BRT na capital baiana, Carla Maltez, de 42 anos, esteve presente na roda de conversas nesta manhã de segunda-feira (30). Protagonista de um ato marcante para as mulheres no sistema de transporte público, ela relembrou um pouco de sua trajetória, desde quando começou como cobradora até ser um espelho para as novas figuras femininas neste meio. 

“Dirijo ônibus há cerca de cinco anos, mas comecei como cobradora. Agarrei as oportunidades e aproveitei as portas se abrindo. Ouvir de outra mulher, em especial as idosas, que eu as represento é extremamente gratificante e só me motiva a querer continuar crescendo. O conhecimento nunca é demais. Isso ninguém tira, e é o que tento passar”, comentou Carla.

Rodoviária há dois anos, Marília Mota, 42 anos, também esteve na roda de conversas e atribuiu o projeto Mulheres no Volante como uma forma de as soteropolitanas se apoiarem umas nas outras, sem julgamentos e sempre buscando um crescimento mútuo. A profissional também relembrou sua trajetória e refletiu sobre o quanto as mulheres podem crescer dentro de seus objetivos tão sonhados.

“Estava há quase dez anos fora do mercado, quando surgiu a oportunidade do projeto Mulheres no Volante, e eu decidi tentar. Desde então, fui acolhida e me tornei a quarta mulher motorista da plataforma, vivendo esse desafio dia após dia. Hoje, eu me sinto livre e sei que não dependo de ninguém. É isso que todas nós precisamos entender. A mulher é dona de si, e sua liberdade não pode depender do outro. Somos úteis, nós podemos e devemos criar os nossos espaços”, refletiu Marília.

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