29 de agosto de 2025
Politica

Operação contra crime organizado aponta elo de núcleos com o PCC e o tráfico de drogas

Dois dos núcleos investigados na Operação Carbono Oculto pelo Ministério Público, Policia Federal e Receitas Estadual e Federal têm como líderes os integrantes das famílias Cepeda e Gonçalves. É principalmente em razão deles que os promotores do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) acusam a organização investigada nesta quinta-feira, dia 28, de manter ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e com o tráfico internacional de drogas.

Agentes da Receita Federal participaram da operação Carbono Oculto, em São Paulo
Agentes da Receita Federal participaram da operação Carbono Oculto, em São Paulo

Outro nome que os investigadores identificaram no emaranhado de relações econômicas entre os acusados foi o empresário Daniel Lopes, condenado a 9 anos de prisão por tráfico internacional de drogas pela 14.ª Vara Criminal de Curitiba. Lopes também foi condenado pela Justiça estadual de São Paulo em razão de fraudes praticadas à frente de posto de combustível em Hortolândia (SP).

Ele também seria vinculado, segundo os promotores, a empresas química envolvidas em investigações sobre refino de drogas. Daniel Lopes manteria ainda relações com duas empresas do grupo do empresário Mohamad Hussein Mourad, do grupo Aster/Copape. Lopes, afirmam os promotores, não seria o único acusado por tráfico ligado ao grupo.

José Carlos Gonçalves, o Alemão, investigado pela Polícia Federal na Operação rei do Crime: teria ligações com o dinheiro de Marcola
José Carlos Gonçalves, o Alemão, investigado pela Polícia Federal na Operação rei do Crime: teria ligações com o dinheiro de Marcola

De acordo com os investigadores, esse também seria o caso de Renato Martins Vieira, da VMR Distribuidora de Combustíveis e Lubrificantes, cujo tio Antônio Carlos Martins Vieira, o Tonhão Forte, e o sobrinho Gustavo Martins Vieira seriam ligados ao PCC. Tonhão Forte é ainda acusado de roubo de cargas em Alagoas e foi alvo da Polícia Federal.

Os dois manteriam, de acordo com os promotores, relações com os núcleos da família Cepeda Gonçalves e de José Carlos Gonçalves, o Alemão, que foram investigados pela Polícia Federal durante a Operação Rei do Crime, sob a suspeita de lavar dinheiro do líder máximo do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.

O lider do PCC , Marcos Herbas Camacho, o Marcola, deixa o Hospital de Base do Distrito Federal apos exames
O lider do PCC , Marcos Herbas Camacho, o Marcola, deixa o Hospital de Base do Distrito Federal apos exames

Segundo os investigadores, esses dois núcleos teriam relações com os irmãos Salomão, que foram sócios do empresário Antônio Vinícius Gritzbach. Delator do PCC, Gritzbach foi assassinado no dia 8 de novembro de 2024 no aeroporto de Guarulhos, a mando de criminosos da facção. Um dos investigados no caso dos combustíveis também teria ameaçado Gritzbach em razão dos negócios com postos de combustíveis na zona leste de São Paulo.

Boxter

De acordo com as investigações, o núcleo Cepeda seria controlado por Natalício Pereira Gonçalves Filho e por seus filhos Renan Cepeda Gonçalves e Natália Cepeda Gonçalves. Eles estariam ligados a 73 postos de combustível. “Identificou-se conexões diretas com o grupo Mourad” por meio da RCG Investimentos e Participações, destacam os investigadores.

A família Cepeda Gonçalves seria sócia da Stock Distribuidora de Petróleo, que seria conectada à RCG. Eles seriam ainda ligados à família Salomão. Dizem os promotores: “A família Luiz Salomão possui notórias conexões com Antonio Vinicius Lopes Gritzbach e José Carlos Gonçalves, o Alemão, ambos com mídias negativas com apontamentos de envolvimento com a lavagem de capitais do PCC.”

Posto de gasolina investigado pela PF durante a Operação Rei do Crime: provas foram anuladas
Posto de gasolina investigado pela PF durante a Operação Rei do Crime: provas foram anuladas

De acordo com os investigadores, os dois núcleos operavam de modo semelhante por meio das substituição de quadros societários e empresas conectadas entre si. Os promotores suspeitam que a dinâmica seja uma forma fraudulenta para acobertar os beneficiários finais. Tudo isso feito por meio de laranjas ou com o registro de empresas em nome de parentes.

Manguinhos e PCC

Foi assim, por meio de um parente de Mourad, que a investigação encontrou as provas de vinculação do grupo Aster/Copape com o Grupo Manguinhos. Trata-se de Himad Abdallah Mourad, primo de Mourad. Himad aparece como diretor da GGX, que domina 103 postos de combustíveis, além da GT formuladora, da distribuidora Arka e dos terminais portuários TLOG Terminais e Riolog Terminais.

Foi ainda por meio de Himad que os promotores chegaram às primeiras relações dos acusados com o PCC. Ela ocorreria por meio da família que manteria transações imobiliárias com pessoas que lavavam dinheiro para integrantes da facção criminosa.

Outro parente de Mourad, Tharek Majide Bannout, teria uma rede de padarias e atuaria no ramo dos postos de combustíveis da RCG Investimentos e Participações, empresa que pertencia a Renan Cepeda, investigado na Operação Rei do Crime, em 2020, por supostas ligações com operadores de Marcola. Renan é sócio de Natalício Pereira Gonçalves Filho na Rede Boxter de Combustíveis, apontada pelos investigadores como a rede de postos de gasolina do PCC.

Ele chegou a ser preso na operação Rei do Crime, que nasceu da delação premiada do piloto de helicóptero Felipe Ramos de Morais. O piloto acabaria morto em 2022 por policiais militares de Goiás, o que levou a Justiça Federal a cancelar a operação e a liberar bens dos acusados ligados a Marcola, avaliados em R$ 800 milhões, que haviam sido sequestrados a pedido da Polícia Federal.

 

 

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