30 de agosto de 2025
Politica

Nova campanha do governo na semana da Pátria e do julgamento de Bolsonaro defende ‘Brasil Soberano’

BRASÍLIA – O governo Lula vai divulgar, nos próximos dias, uma campanha publicitária que tem como conceito a ideia de “Brasil Soberano”, mensagem que também será o lema da cerimônia de 7 de Setembro.

Na Semana da Pátria, e na esteira do tarifaço de 50% imposto aos produtos brasileiros pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o filme da nova campanha dirá que “a gente não vai abaixar a cabeça para quem ameaça a nossa soberania”.

Com o novo slogan do governo na praça – “Do lado do povo brasileiro” –, a peça terá tom nacionalista. Esta pretende ser a marca da segunda metade da gestão Lula e também do discurso que embalará a disputa pela reeleição, em 2026.

“A gente não vai deixar de usar o Pix. O Pix é nosso. É de graça. Está do lado de todo o brasileiro. A gente não vai sossegar vendo você pagar mais impostos do que os super-ricos, que pagam nada ou quase nada. A gente não vai deixar que a fome volte a assombrar”, diz a propaganda que vai ao ar na semana em que o ex-presidente Jair Bolsonaro começa a ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe.

Em outro trecho, o filme garante que “a gente vai, sim, lutar do lado das nossas empresas que exportam e levam a força do nosso trabalho para o mundo inteiro”. Tendo a bandeira do Brasil ao fundo, a campanha termina com uma frase de efeito: “Eu digo sim ao povo brasileiro”.

Sidônio com Lula: construção de marcas e discurso de campanha para 2026
Sidônio com Lula: construção de marcas e discurso de campanha para 2026

A primeira versão do texto foi apresentada nesta sexta-feira, 29, pelo ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, às assessorias de imprensa dos ministérios e das estatais. Na reunião, Sidônio pediu que todos divulgassem as ações do governo.

A uma plateia composta por integrantes dos mais variados ministérios, o publicitário explicou o novo slogan do governo. “Por que ‘do lado’, e não ‘ao lado’?”, provocou. Ele mesmo respondeu: “Ao lado você está ao lado de alguém, mas do lado você está defendendo”.

Sidônio disse que um governo de coalizão, como o de Lula, representa vários posicionamentos políticos. “Se a gente não tiver cuidado, ele fica amorfo, fica sem identidade”, argumentou. No seu diagnóstico, o grande desafio da gestão é melhorar a vida das pessoas. “Mesmo sendo um governo de coalizão, esse governo tem lado – que é o lado do povo brasileiro –, tem identidade, se posiciona, luta, defende e constrói”.

Bem humorado, o ministro observou que enfrentou várias crises desde sua entrada no governo, em janeiro. “Eu estou aqui há sete meses e digo para vocês: ‘Não tem um dia que eu não paro, penso, vejo qual o caminho que a gente tem para mostrar tudo que esse governo está fazendo’”.

Nascido na Bahia, Sidônio afirmou que poderia estar em Salvador, “com a umidade relativa do ar muito mais alta do que aqui (em Brasília), tomando um banho de mar de água quentinha que o Nordeste tem”. Em seguida, completou: “Mas estou aqui por um objetivo, que é a gente estar fazendo muito mais pelo povo”.

O ministro rebateu críticas da oposição, para quem o governo faz propaganda disfarçada ao divulgar suas ações. Para ele, essa observação não passa de preconceito. “Eu não sou marqueteiro. Sou um profissional da área do marketing”, desconversou. “E nós não achamos que mais importante do que o fato é a divulgação dele. O fato é mais importante. Mas o fato, sem a gente divulgar, sem dizer o que é, perde muito”.

Eu não sou marqueteiro. Sou um profissional da área do marketing

Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação Social

Após citar pesquisas encomendadas pelo governo mostrando alta taxa de conhecimento e aprovação de programas, como o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida e o Pé de Meia, Sidônio admitiu que “o conhecimento das políticas não se revelou capaz de modificar substancialmente a opinião pública”. Em outras palavras: a popularidade do presidente não subiu tanto assim.

Foi aí que o ministro mencionou a importância de comunicar o propósito do governo e destacou três pilares. “O primeiro pilar é cuidar das pessoas, que são os programas sociais. O segundo, lutar contra a desigualdade e os privilégios”, disse. “O cara que compra uma bicicleta para trabalhar paga imposto. O cara que compra uma lancha, um jet ski, paga zero de imposto? Como assim? O governo não tem que se posicionar sobre isso? Não tem que ver? Isso é propósito”.

O terceiro pilar, na definição de Sidônio, é a defesa da soberania. Ele reconheceu, porém, que muitas vezes esse conceito é abstrato para as pessoas.

Na prática, o tarifaço decretado por Trump ajudou a impulsionar a palavra de ordem no governo. Além disso, entrou em cena a discussão sobre o Pix, que envolveu não apenas Trump como um vídeo com informações distorcidas, divulgadas ainda em janeiro pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).

“Aquele Pix (sobre o qual) lá atrás inventaram uma fake news, é uma moeda, é um patrimônio do povo brasileiro”, assinalou o ministro.

Diante dos assessores de comunicação, Sidônio deu mais uma volta para arrematar com o slogan do governo. “O Pix não se mexe. E é isso que também nos dá orgulho de ter um governo que tem lado”, insistiu ele.

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *