6 de maio de 2026
Politica

Aliados de Tarcísio veem erro do governo Lula em culpá-lo por queda de MP que aumentava imposto

Aliados de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) enxergaram como um erro a estratégia do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de colocá-lo como o principal articulador da derrubada da Medida Provisória 1.303. A avaliação é que o Palácio do Planalto joga no colo de Tarcísio o crédito pela rejeição de uma medida que aumentava impostos e cola cada vez mais o selo de principal liderança antipetista no governador, o que é visto de forma benéfica pelo entorno de Tarcísio.

No Palácio dos Bandeirantes, a aposta é que a tentativa dos petistas de emplacarem a narrativa dos ricos contra pobres, na qual Tarcísio seria defensor do primeiro grupo, não pegará neste caso por tratar-se de aumento de tributos. A MP previa medidas de arrecadação alternativas ao aumento maior do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF).

O governador Tarcísio de Freitas e o presidente Lula durante evento em Santos (SP) no início do ano. Foto: Taba Benedicto/ Estadão
O governador Tarcísio de Freitas e o presidente Lula durante evento em Santos (SP) no início do ano. Foto: Taba Benedicto/ Estadão

Levantamento feito pela consultoria de dados AP Exata mostra que a maioria (58,7%) das publicações nas redes sociais sobre o assunto foram contrárias à medida provisória – as postagens favoráveis à medida somaram 23,9% e as neutras, 17,4%. No total, foram analisadas 35 mil menções no X e no Instagram publicadas entre quarta-feira, 8, e quinta-feira.

A consultoria aponta também que quase metade das menções (49,6%) à atuação de Tarcísio para derrubar a MP foram positivas. A atuação do governador foi bem-recebida especialmente por perfis de direita e de centro, onde respectivamente 78,5% e 55,4% das citações ao governador foram positivas.

“O episódio consolida a liderança de Tarcísio de Freitas junto à direita, o que dá a ele mais uma credencial para um eventual candidatura presidencial”, analisou Sérgio Denicoli, colunista do Estadão e CEO da AP Exata.

Ele aponta ainda que o governador demonstrou resiliência diante os ataques da esquerda e conseguiu aprovação também entre os moderados na tentativa de evitar o aumento de impostos.

“Um desempenho considerável, se pensarmos que a esquerda vinha dominando a narrativa nas redes de forma sucessiva, com o tarifaço de Trump, PEC da Blindagem e isenção do Imposto de Renda para quem ganha até cinco mil reais, mas agora perde essa dominância com a questão da MP 1.303.”, completou Denicoli.

O governador de São Paulo é cotado para enfrentar Lula na eleição de 2026, mas tem reiterado que disputará a reeleição. Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira aponta que Lula abriu 12 pontos percentuais de vantagem sobre Tarcísio no segundo turno, a maior diferença registrada neste ano. O presidente tem 45% das intenções de voto contra 33% do governador paulista.

Mais cedo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), disse que Tarcísio agiu “em detrimento dos interesses nacionais para proteger a Faria Lima” e a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), afirmou que o governador “quer esconder do eleitor é que ele é o candidato dos bilionários, das bets e dos golpistas”.

As declarações levaram Tarcísio a gravar um dos vídeos mais duros contra o PT desde que assumiu o governo paulista. No material divulgado nas redes sociais, o governador acusa o partido de promover uma “ampla campanha de desconstrução de reputação” contra ele e gastar o dinheiro da população para “vender um mundo perfeito na publicidade”.

“Agora, ficar jogando uns contra os outros de forma absurda e querer que a população apoie aumento de impostos, e eram 10 impostos que iriam ser aumentados ontem, ninguém, nem eu, nem o País, vai apoiar. Já chega. Vamos parar de inventar culpado. Tenha vergonha, Haddad! Respeitem os brasileiros, cortem gastos. A gente precisa governar e sair do palanque”, disse Tarcísio.

O Estadão apurou que o governador avaliará caso a caso se vale a pena responder às futuras críticas vindas do governo petista. Segundo um interlocutor de Tarcísio, nesta quinta-feira a “bola estava quicando”.

Como mostrou o Estadão, Lula e Tarcísio travaram uma disputa nos bastidores em torno da MP, que poderia elevar a arrecadação do governo em cerca de R$ 17 bilhões em 2026, ano eleitoral. Deputados relataram ter recebido ligações tanto do presidente quanto do governador paulista.

Na quarta-feira, 8, Tarcísio negou ter ligado para deputados para pedir votos contra a MP. Poucas horas depois, porém, foi desmentido em plenário pelo líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que agradeceu publicamente seu empenho na articulação contra a medida.

“Quero agradecer alguns governadores que trabalharam muito esta noite”, disse Sóstenes, citando nominalmente Tarcísio. “Você tem sido um gigante no diálogo com presidentes de partidos de Centro para que a gente possa fazer essa coalizão em prol do Brasil e contra aumento de impostos”, continuou o líder do PL.

Outra articulação recente de Tarcísio em Brasília foi para o avanço do projeto de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), aos condenados pelo 8 de Janeiro e na trama golpista. Após um périplo do governador na capital federal, a urgência da proposta foi aprovada na Câmara dos Deputados. O deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP) assumiu a relatoria do texto e deve propor a redução de penas em vez do perdão judicial aos condenados.

 

 

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