‘Kids pretos’ miram absolvição em votação sem Fux e com 15 réus já condenados pela trama golpista
As defesas dos réus do núcleo três – ou “núcleo de ações coercitivas” – do plano de golpe começaram a apresentar nesta terça-feira, 11, os últimos argumentos para tentar convencer os ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a absolvê-los das acusações da Procuradoria-Geral da República (PGR). Neste momento, o julgamento está no intervalo do almoço.
Como os questionamentos processuais foram analisados nos julgamentos anteriores, em que os ministros condenaram o “núcleo crucial” e o “núcleo de desinformação” do plano de golpe, os advogados tendem a abandonar as objeções preliminares e concentrar a argumentação nas provas da investigação para tentar evitar o mesmo desfecho enfrentado pelos demais réus.
No núcleo 3 estão oficiais das Forças Especiais do Exército, os “kids pretos”, e um policial federal que, segundo a denúncia da PGR, ficaram responsáveis por ações operacionais da trama golpista, entre elas o plano para executar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.
Veja quem responde ao processo no núcleo 3:
- Bernardo Romão Corrêa Netto, coronel do Exército;
- Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira, general da reserva;
- Fabrício Moreira de Bastos, coronel do Exército;
- Hélio Ferreira Lima, tenente-coronel do Exército;
- Márcio Nunes de Resende Júnior, coronel do Exército;
- Rafael Martins de Oliveira, tenente-coronel do Exército;
- Rodrigo Bezerra de Azevedo, tenente-coronel do Exército;
- Ronald Ferreira de Araújo Júnior, tenente-coronel do Exército;
- Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros, tenente-coronel do Exército;
- Wladimir Matos Soares, agente da PF.

Uma das provas centrais da denúncia é a reunião entre os “kids pretos” que aconteceu no salão de festas do condomínio do coronel Márcio Nunes, em Brasília, no dia 28 de novembro de 2022. A PGR afirma que o encontro foi usado para traçar estratégias para convencer o alto comando do Exército a aderir ao golpe.
Segundo a denúncia, um dos produtos da reunião foi a “Carta ao Comandante do Exército de Oficiais Superiores da Ativa do Exército Brasileiro”, manifesto com críticas ao Poder Judiciário e referências à “insegurança jurídica e instabilidade política e social no País”.
As defesas tratam a reunião como uma confraternização de amigos. Os advogados afirmam que encontros das turmas de formação do Exército fazem parte da cultura militar e rechaçam a versão de que o evento tenha sido planejado para debater medidas golpistas.
Em sua colaboração premiada, o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência, tratou a reunião como uma “conversa de bar”. As defesas se apoiam na delação para rebater a versão da acusação.
Um dos argumentos das defesas é o de que os militares presentes no encontro tinham perspectivas de promoção na carreira e, por isso, não teriam interesse em arriscar o futuro nas Forças Armadas para participar de um plano de golpe.
Os advogados Ruyter de Miranda Barcelos e Ricardo Medrado de Aguiar, que representam o coronel Bernardo Romão Corrêa Netto, exibiram imagens do salão de festas onde ocorreu o encontro. O ambiente é vidrado e as pessoas que transitam pela área comum do condomínio podem ver o que acontece dentro do salão.
“Não é possível imaginar que militares desse grau de adestramento e especialidade vão se reunir em ambiente totalmente devassável para tratar de assuntos golpistas”, argumentou Ruyter de Miranda Barcelos.
