Dino manda seguranças do STF retirarem da tribuna advogado de Filipe Martins que reclamou de censura
O ministro Flávio Dino, presidente da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou os seguranças de prontidão na sala de sessões retirarem o advogado Jeffrey Chiquini da tribuna. O entrevero aconteceu nesta terça-feira, 9, no julgamento do núcleo 2 da trama golpista.
Dino silenciou o microfone de Chiquini após a Primeira Turma negar uma questão de ordem e pediu que ele se retirasse da tribuna, mas o advogado insistiu no pedido e se manteve no local, irredutível. Diante da insistência, um dos seguranças se aproximou do defensor e determinou que ele voltasse à sua cadeira. “O ministro ordenou que se retire”, disse.
Não houve toque físico, mas Chiquini demonstrou incômodo com a abordagem, ao que Dino respondeu: “Fui eu que determinei que o segurança agisse”.
As câmeras da TV Justiça, que transmitem o julgamento ao vivo, não registraram a interação entre o advogado e o agente do STF. A reportagem estava presente no local e acompanhou o atrito entre Dino, Chiquini e o policial.

O criminalista insistiu em uma questão de ordem rejeitada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, e ignorou pedidos de Flávio Dino para retornar ao seu lugar no auditório.
“Doutor, por favor, retorne ao seu lugar. Vossa Excelência vai ter o seu tempo para formular as teses de defesa. Eu dei ordem para o policial”, interviu Dino depois que o advogado, inconformado com a decisão, tentava uma contra-argumentação.
Jeffrey Chiquini defende Filipe Martins, ex-assessor da Presidência no governo Jair Bolsonaro – já condenado a 27 anos e três meses de prisão como articulador do plano de golpe.
O advogado reclamou por ter sido impedido de exibir duas páginas de uma apresentação de slides que havia preparado para dar suporte à sustentação oral – momento em que a defesa expõe seus argumentos aos ministros.
As defesas têm a opção de usar materiais de apoio na tribuna, mas as apresentações precisam ser enviadas com antecedência ao STF para avaliação.
Chiquini disse que foi impedido de apresentar uma tese doutrinária cunhada pelo ministro Cristiano Zanin, que participa do julgamento, e também de mostrar uma foto do padre José Eduardo de Oliveira e Silva com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo a denúncia, o padre teria acompanhado Filipe Martins em uma das visitas em que foi debatida uma minuta de decreto com medidas golpistas.
“Foi censurado à defesa a oportunidade de mostrar essa foto”, reclamou o advogado. “Nunca se viu vedar à defesa apresentar uma doutrina em slide”, acrescentou Chiquini.
Relator da ação penal, Alexandre de Moraes afirmou que os pedidos do advogado são “absolutamente impertinentes”.
“Se fossem importantes para a defesa, teria juntado aos autos e teria juntado nas alegações finais. Não para sustentação oral. Ficará fora dos autos”, definiu o ministro.
