14 de fevereiro de 2026
Politica

A anatomia do acordão por pena menor para Jair Bolsonaro

O acordo-blitz pela redução do tempo em que Jair Bolsonaro ficará preso em regime fechado – porque é disso que se trata – foi produto de articulação-relâmpago entre o ex-presidente, o senador Ciro Nogueira (e seus ruedas) e o comando das casas parlamentares, o censor Hugo Motta e o fiador-geral da República Davi Alcolumbre.

O trâmite foi transparente: Flávio Bolsonaro, feito candidato do bolsonarismo, apresentara e subira o seu preço no curso do último fim de semana. Na segunda à noite, sentou-se para conversar-negociar com os senhores do chamado centrão tarcisista, o que sonha com um bolsonarismo sem Bolsonaro.

Plenário da Câmara aprovou projeto da dosimeteria
Plenário da Câmara aprovou projeto da dosimeteria

Na terça, pela manhã, esteve com Jair na prisão. É provável que o objeto do encontro tenha sido o texto de Paulinho da Força – e o que o projeto oferecia na prática. No começo da tarde, Motta anunciou a pauta-surpresa – e logo circularia a notícia de que a liderança bolsonarista na Câmara desistira de apresentar destaques ao substitutivo de Paulinho. Tudo encadeado.

A renúncia aos destaques, ato que confrontava o discurso bolsonarista recente, do próprio Flávio, de que disputariam no voto a transformação do texto em “anistia ampla, geral e irrestrita”, exprimia, lavrava mesmo, a assinatura do acordão.

Os agentes radicalizadores do bolsonarismo logo baixariam a bola ante o avanço-solução possível, expressão inequívoca de que a ordem viera de Jair. Para o que terá concorrido decisivamente o compromisso de Alcolumbre em fazer andar – disposto a atropelar – e concluir o processo no Senado ainda neste ano. Ele garantiu.

Com a palavra de Alcolumbre, os votos bancados por Ciro e o produto-oferta do texto de Paulinho nas mãos, a turma cumpriu a ordem de Jair, que afinal aceitara ficar preso, em regime fechado, por pouco mais de dois anos. Assim, nesses termos práticos, o mundo real se impôs à bravata da anistia; sendo impossível que esse arranjo tenha prosperado sem o aval dos ministros-consultores de constitucionalidade do Supremo.

E, independentemente de Flávio levar a sua candidatura até o final, hipótese que não pode ser desprezada, as negociações continuam.

 

 

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