6 de maio de 2026
Politica

Após guerra da Igualdade Racial com Direitos Humanos, cobras e lagartos do Ministério das Mulheres?

A linda foto da posse de Lula no terceiro mandato, com uma profusão de cores e sorrisos, entre homens, mulheres, indígenas, brancos e pretos, amarelou rapidamente, como se fosse antiga, de outros tempos. Dois ministros foram demitidos por desvios, um por conveniência política, mais um por assédio e, das onze mulheres, quatro caíram. Aliás, nenhuma delas por corrupção, mas por desempenho.

A ex-ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, ao lado de sua sucessora no cargo Márcia Lopes
A ex-ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, ao lado de sua sucessora no cargo Márcia Lopes

A última demissão, justamente da ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, não foi apenas de surpresa, mas de forma inusitada: quem anunciou a troca não foi o presidente, nem o Planalto, nem a própria ministra que sai, mas, ora, ora, a ministra que entra. Onde já se viu uma coisa dessas? Márcia Lopes foi convidada por Lula e correu para anunciar aos quatro ventos, com a antecessora ainda no cargo, que tomaria posse nesta segunda-feira, 5. No mínimo, deselegante.

Além de Cida, acusada de assédio moral e até de xenofobia pela própria equipe e de dar pouca visibilidade à pasta e aos programas para mulheres, já caíram as ministras do Turismo, Daniela do Waguinho, do Esporte, Ana Moser, e da Saúde, Nísia Trindade, tragadas pelo redemoinho político. Das quatro, só Cida foi substituída por outra mulher, igualmente do PT, como ela.

A foto inicial também esmaece em áreas sensíveis para o PT, com destaque para a guerra da ministra Aniele Franco contra o então colega Sílvio Almeida, defenestrado por assédio. Igualdade Racial contra Direitos Humanos, com protagonismo de dois ministros negros?! Agora, mais essa: crise na pasta das Mulheres.

A única que cresce e aparece é a ex-presidente do PT Gleisi Hoffmann, da Articulação Política, mas duas outras mulheres que tinham tudo para estar na vitrine parecem tímidas, ou de escanteio. Uma é Marina Silva (Rede), do Meio Ambiente. A outra é Simone Tebet, do MDB, que venceu todos os debates da eleição de 2022 e foi audaciosa ao assumir o Planejamento com Lula.

Márcia Lopes, assistente social e professora do Paraná, é irmã de Gilberto Carvalho, figura chave nos primeiros mandatos de Lula e desviado para o segundo escalão no terceiro. Ela tem pressa para “entregar” o que Lula possa vender bem para o eleitorado feminino, nestes tempos de INSS, anistia para o 8/1, inflação e juros em alta, popularidade em baixa e temor quanto ao arcabouço fiscal.

O risco é Cida Gonçalves roubar a cena e ganhar como ex-ministra os holofotes que não teve como ministra. E não por bem. Depois do assédio do ministro dos Direitos Humanos contra a ministra da Igualdade Social, sabe-se lá as cobras e lagartos que podem sair do Ministério das Mulheres…

 

 

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