12 de janeiro de 2026
Politica

Planalto avalia que Venezuela pode virar ‘trunfo’ da campanha de Lula com discurso de soberania

A invasão da Venezuela pelos Estados Unidos, com a captura do ditador Nicolás Maduro, já virou tema de disputa eleitoral no Brasil. Mas, ao contrário do que a direita apregoa, no Palácio do Planalto a avaliação é que a ofensiva do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o país vizinho pode se tornar um “trunfo” para a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva ao quarto mandato.

O diagnóstico foi feito pelo próprio presidente em conversas reservadas com amigos, nos últimos dias. Para Lula, a crise na Venezuela é preocupante, sim, mas o tiro dos pré-candidatos à sua cadeira no Planalto sairá pela culatra.

No momento em que os atos golpistas do 8 de Janeiro completam três anos, a estratégia do Planalto consiste em recalibrar o discurso da soberania nacional, que “salvou” o governo quando houve o tarifaço imposto por Trump aos produtos brasileiros, no ano passado.

Lula, Trump e Maduro: desfecho imprevisível da crise na Venezuela faz Planalto investir em retórica da pacificação
Lula, Trump e Maduro: desfecho imprevisível da crise na Venezuela faz Planalto investir em retórica da pacificação

À época, Lula enfrentava maus bocados: perdia popularidade dia a dia e os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) já cantavam vitória antecipada, apostando na aproximação com Trump. Tudo mudou, porém, quando o governo investiu nas negociações diplomáticas e ressuscitou o mote “O Brasil é dos brasileiros”, que havia despontado no Congresso em fevereiro para rebater o slogan “Make America Great Again” (Faça a América Grande de Novo), usado por Trump em sua campanha.

Ao longo do tempo, as articulações feitas nos EUA por Eduardo Bolsonaro, hoje um deputado cassado, passaram a ser vistas no terreno doméstico como traição, o Centrão entrou em desespero com a tática adotada pelo filho 03 do ex-presidente e o jogo virou para Lula.

Embora os desdobramentos da ofensiva americana sejam tão imprevisíveis quanto o próprio Trump, todos sabem que aos EUA pouco importa a restauração da democracia no país de Maduro. O que Trump quer mesmo é o petróleo da Venezuela, além de retomar a influência sobre a América Latina, região próspera em recursos minerais.

Nesse cenário ainda nebuloso, Lula adotará a retórica da pacificação, mas sempre condenando atos de força. Os governadores Tarcísio de Freitas (São Paulo), Ratinho Júnior (Paraná), Romeu Zema (Minas) e Ronaldo Caiado (Goiás), por sua vez, continuarão a associar o presidente à defesa de ditaduras.

De quebra, todos os desafiantes do presidente baterão na tecla de que o Brasil corre o risco de virar uma Venezuela. A comparação é equivocada, mas, na prática, Lula paga o preço de ter demorado a recolher o tapete vermelho para Maduro.

É certo, porém, que Lula torce para que o senador Flávio Bolsonaro (PL), o filho 01 do ex-presidente, vá até o fim da disputa. Tarcísio é visto pelo Planalto como um adversário mais difícil de enfrentar.

Tanto um quanto outro, no entanto, foram alertados por marqueteiros de que os aplausos aos EUA, nesta temporada, deveriam ser menos efusivos. Não sem motivo: em se tratando de Trump, tudo pode acontecer de agora em diante. Inclusive nada.

 

 

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