12 de janeiro de 2026
Politica

Lula estimula antigos aliados a se candidatarem para ter nomes de peso no Congresso e no governo

BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estimulou alguns de seus aliados antigos a se candidatarem neste ano não só para formar uma bancada relevante no Congresso Nacional, mas para também contar com figuras de peso nas duas Casas do Legislativo e até nomes para cargos no Palácio do Planalto, apurou o Estadão/Broadcast.

Um desses nomes é o do ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha, como mostrou a Coluna do Estadão. Ele decidiu deixar suas atividades no setor privado para ser candidato a deputado federal neste ano. Cunha foi deputado de 1995 a 2014, quando foi preso após condenação no escândalo do mensalão.

Fontes do Palácio do Planalto ouvidas pela reportagem apostam que o presidente Lula vê no ex-presidente da Câmara um possível ministro para um eventual quarto mandato. Cunha é conhecido por ser um hábil negociador político e por ter trânsito junto ao Centrão e ao empresariado.

Lula estimulou alguns de seus aliados antigos a se candidatarem neste ano
Lula estimulou alguns de seus aliados antigos a se candidatarem neste ano

Aliados do ex-deputado acreditam que ele seria um nome possível para a Secretaria de Relações Institucionais (SRI) em um possível terceiro mandato. Seria um rearranjo difícil de se fazer, já que a atual ministra da SRI, Gleisi Hoffmann, é uma das pessoas que detém mais confiança do presidente da República nos últimos anos. Também representaria um desgaste político pela condenação do petista no mensalão.

João Paulo Cunha tem despachado com frequência com Lula no Palácio do Planalto, segundo apurou o Estadão/Broadcast. Os encontros são reservados, apenas entre os dois. Não constam na agenda oficial do presidente da República. Foi o próprio Lula que convenceu Cunha a ser candidato nas eleições deste ano. A priori, ele não quis deixar a carreira no setor privado, mas acabou convencido pelo presidente.

João Paulo Cunha tem despachado com frequência com Lula no Palácio do Planalto
João Paulo Cunha tem despachado com frequência com Lula no Palácio do Planalto

O ex-deputado se formou em Direito em julho de 2015, enquanto cumpria pena pela condenação do mensalão. Passou a trabalhar no ramo e hoje transita bem nos círculos do poder em Brasília.

Além dele, outro político experiente do PT que pretende voltar aos principais círculos da política em Brasília é José Dirceu. Ex-ministro da Casa Civil no primeiro governo de Lula e ex-deputado federal, ele planeja retornar à Câmara. Será candidato a deputado federal.

A projeção que ele pode vir a ter em um eventual governo Lula 4 é incerta. Dirceu tem dito que não fala com frequência com Lula, diferentemente de João Paulo Cunha. Em entrevista à BBC Brasil em outubro, Dirceu disse que ele e Lula conversam “por telepatia”.

José Dirceu no 17° Encontro Nacional  do Partido dos Trabalhadores em 2025
José Dirceu no 17° Encontro Nacional do Partido dos Trabalhadores em 2025

O ex-chefe da Casa Civil tem articulado sua candidatura em 2026 há alguns anos. Desde que Lula assumiu a Presidência, voltou a circular nos bastidores, participando de festas de políticos e também promovendo seus próprios convescotes.

Reconfiguração de poder

Ainda é cedo para dizer, mas Lula aparece na liderança em todos os cenários estimulados para a disputa das eleições presidenciais, de acordo com as principais empresas de pesquisa do País. Além disso, sendo o candidato com a máquina pública na mão, tem mais elementos para garantir sua reeleição.

No cenário em que o petista consegue um novo mandato de quatro anos, a volta desses figurões do PT à política institucional em Brasília tende a causar uma reconfiguração no núcleo duro de tomada de decisão petista. Hoje, as pessoas mais próximas ao presidente Lula são os ministros da Fazenda, Fernando Haddad; da SRI, Gleisi Hoffmann; da Casa Civil, Rui Costa; e da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira; além do líder do governo no Senado, Jaques Wagner.

Wagner protagonizou um episódio que causou atrito ao governo recentemente. Ele construiu um acordo junto aos senadores para viabilizar a votação do projeto com a redução de penas aos condenados pela tentativa de golpe de Estado e ao mesmo tempo o texto que reduzia benefícios fiscais e aumentava a taxação sobre bets e fintechs. Não foi um entendimento sobre o mérito das propostas, mas sobre a possibilidade de votar os dois textos ainda em 2025.

O senador foi criticado, em especial por Gleisi, pela sua conduta. Chamou de “lamentável” o acordo feito, contrariando a posição pública do Palácio do Planalto contra a proposta. Lula admitiu, em entrevista a jornalistas logo após o episódio, que não tinha conhecimento do acordo. Não condenou, no entanto, seu aliado. Ainda assim, Wagner é o mais longevo aliado do presidente hoje em Brasília.

Fontes ouvidas pela reportagem dizem que a volta de figuras como João Paulo Cunha e José Dirceu ao tabuleiro político pode trazer à gestão de Lula algo que é apontado como uma falha nos últimos anos: o fato de o presidente se cercar de pessoas com receio de terem posições contrárias e francas em relação a ele. Uma das críticas que circula nos bastidores do Planalto é que algumas pessoas próximas ao presidente hoje em dia preferem concordar com ele, mesmo em situações em que têm divergências, ainda que pontuais.

 

 

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