12 de janeiro de 2026
Politica

Planalto vê guerra na PF e advogado pede inquérito para apurar ‘vazamento seletivo’ contra Lulinha

Ministros com assento no Palácio do Planalto dizem que a apuração da Polícia Federal sobre referências feitas a um dos filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no curso das investigações sobre desvios de aposentadorias do INSS reflete a “guerra” na corporação. Nos bastidores, aliados de Lula definem a PF como mais um fio desencapado e afirmam que há vários grupos conflagrados disputando poder ali.

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas, afirmou que pedirá ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, a abertura de inquérito para apurar o que chamou de “vazamentos seletivos” de investigações.

O Estadão revelou nesta quarta-feira,7, que a Polícia Federal informou ao ministro do STF André Mendonça ter detectado menções a Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente, ao investigar o desvio de aposentadorias do INSS e apura agora se ele seria “sócio oculto” do empresário Antônio Camilo Antunes. Conhecido como Careca do INSS, Antunes é pivô do esquema investigado. A defesa de Lulinha nega qualquer relação dele com o INSS.

Fábio Luís, o Lulinha: referência a nome do filho mais velho do presidente aparece em documento da Polícia Federal
Fábio Luís, o Lulinha: referência a nome do filho mais velho do presidente aparece em documento da Polícia Federal

“Vou solicitar à Polícia Federal uma apuração rigorosa desses vazamentos seletivos”, disse Marco Aurélio de Carvalho, que já representou o filho do presidente. “O grave não são as acusações porque elas não estão calçadas em provas e o Fábio não é alvo de qualquer procedimento de investigação. O grave são os vazamentos com métodos que reproduzem o que houve de pior na Lava Jato”, completou o advogado.

A oposição já fala novamente em convocar Lulinha para depor na CPI do INSS em fevereiro, quando terminar o recesso parlamentar.

Em café da manhã com jornalistas, no dia 18 de dezembro, o presidente disse que ninguém será poupado nas investigações sobre o esquema de fraude no INSS. Lula fez a afirmação ao ser questionado sobre a operação da PF, deflagrada naquele dia, para apurar novas suspeitas de irregularidades no pagamento das aposentadorias do INSS.

“Se tiver filho meu metido nisso, será investigado”, afirmou Lula. “É importante que haja seriedade para que a gente possa investigar todas as pessoas envolvidas. Ninguém ficará livre”.

Na representação enviada ao ministro André Mendonça, a Polícia Federal ressalva que as menções ao filho do presidente apareceram em conversas de terceiros, mas até agora não foi encontrado nenhum elemento que indique sua participação direta nos fatos sob investigação.

A PF apura se Fábio Luís manteve uma sociedade oculta com o Careca do INSS por meio de uma amiga em comum entre eles, a empresária Roberta Luchsinger, que foi alvo de busca e apreensão na última fase da Operação Sem Desconto, deflagrada em dezembro.

 

 

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