Caso Master: Vital do Rego entra para fazer meio de campo e ‘não tensionar mais o mercado’
O presidente do Tribunal de Contas da União, Vital do Rêgo, vai interromper seu recesso e voltará a Brasília na próxima segunda-feira, 7, para tratar do caso do Banco Master. Em conversa com a Coluna do Estadão, o ministro admitiu que o tema é delicado e que pretende “ajudar a fazer um meio de campo para não tensionar mais o mercado”.
Ciente das polêmicas que envolvem a atuação do TCU na apuração sobre a liquidação do banco de Daniel Vorcaro, ele decidiu conversar pessoalmente com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. “Vou fazer de tudo para termos um resultado final satisfatório”.
Vital do Rêgo voltou a afirmar que o TCU tem “a prerrogativa e o dever constitucional” de fiscalizar o BC, assim como faz com todas as agências reguladoras. E o Banco Central é órgão regulador do sistema financeiro.
O ministro ressaltou, porém, que sua atuação estará restrita ao diálogo, mas que o mérito da matéria continua a cargo do relator, ministro Jhonatan de Jesus.
Na prática, Vital do Rêgo entra em cena para evitar frear o desgaste provocado pelas decisões do relator do caso Master. O tom dos despachos de Jhonatan – com declarações que invertem a lógica da investigação e levantam suspeição sobre a atuação do BC – terminou deixando a credibilidade do próprio TCU em xeque.
Nesta quarta-feira, 7, o relator decidiu suspender a inspeção in loco que havia solicitado para ter acesso a documentos sigilosos do Banco Central, no caso Master. A medida só ocorreu após o BC entrar com recurso para questionar a decisão monocrática do ministro e depois de ele sofrer uma série de críticas, inclusive entre os pares, de que sua atuação de maneira açodada — em pleno período de férias — está prejudicando a imagem do tribunal como um todo.
O recuo também só ocorre depois de o próprio relator ser alvo de um pedido de investigação. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou nesta quarta-feira, 7, representação junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) em que pede investigação sobre o ministro Jhonatan de Jesus, por suspeita de abuso de autoridade no caso do Banco Master. Também solicita a suspensão imediata das determinações do órgão de controle relacionadas ao caso.

