12 de janeiro de 2026
Cultura

Teatro Gregório de Mattos recebe exposição ‘Pinóia’, de Daniel Barreto

Texto e fotos: Divulgação

A Galeria da Cidade, no Teatro Gregório de Mattos, recebe a exposição ‘Pinóia’, do artista visual Daniel Barreto, na próxima quarta-feira (14). O evento de abertura acontece no espaço cultural a Fundação Gregório de Mattos (FGM) a partir das 18h, com entrada gratuita.

Primeira exposição individual de Daniel Barreto em Salvador, ‘Pinóia’ parte de uma palavra popular, carregada de oralidade e afeto, profundamente enraizada no vocabulário baiano. Extraída de uma célebre frase de Jorge Amado – escritor cuja obra ajudou a construir imaginários, gestos e modos de dizer da Bahia -, a palavra opera aqui como chave poética e conceitual para acessar um conjunto de trabalhos que tratam da memória, da herança e do fazer manual como território sensível da pintura contemporânea.

Nascido em Volta Redonda, em 1981, Daniel Barreto constrói uma produção marcada pela centralidade da pintura – não como linguagem estanque, mas como campo em expansão. Em Pinóia, a pintura extrapola o plano da tela e se desdobra em costuras, bordados, flâmulas, estandartes e figuras tridimensionais, tensionando seus próprios limites formais sem se afastar de sua natureza pictórica.

A memória afetiva e familiar atravessa o trabalho do artista de modo estrutural. Filho de um artesão, Daniel incorpora ao seu processo técnicas manuais associadas à costura e ao bordado, afirmando o tempo do fazer como gesto estético e político. A presença dos bonecos e figuras que emergem das pinturas nasce tanto dessa herança quanto do convívio com seu enteado, ativando um imaginário que articula infância, afeto e transmissão.

Referências à Folia de Reis, aos estandartes, às flâmulas, ao circo e aos ex-votos atravessam a exposição, não como citação, mas como estrutura simbólica ligada à celebração, à devoção e à experiência coletiva. Como pintor afro-diaspórico contemporâneo, Daniel Barreto reposiciona a pintura no debate atual ao articulá-la a questões de memória, pertencimento e elaboração formal.

Em Salvador, ‘Pinóia’ estabelece um encontro simbólico entre a pesquisa pictórica do artista e um território onde a palavra, a oralidade e a memória constituem formas fundamentais de transmissão cultural. Aqui, como lembra Jorge Amado, o que importa é o que permanece; o resto, tudo é pinóia.

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