Lula quer criar Ministério da Segurança Pública após saída de Lewandowski
A saída do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, abre caminho para a criação de um ministério exclusivo da Segurança Pública. O presidente Lula está convencido da importância de criar a pasta, uma promessa de campanha, mas disse a aliados que só poderá tirar a ideia do papel após a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança, hoje empacada no Congresso.
A dificuldade para emplacar projetos como a PEC da Segurança e o chamado PL Antifacção foi um dos motivos que levaram Lewandowki a deixar o cargo. Ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro estava contrariado com a “irracionalidade” das discussões sobre segurança pública, que, na sua avaliação, tendem a piorar neste ano eleitoral. Lewandowski também teve problemas com a Casa Civil, que segurou por meses projetos enviados pelo ministério.
Lula ainda não escolheu o novo titular da Justiça, mas quer um estilo mais político no ministério, que hoje também engloba a segurança pública. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, é cotado para comandar a Segurança, caso haja a divisão da pasta. O PT defende o nome do coordenador do grupo Prerrogativas, Marco Aurélio de Carvalho, para a Justiça.
No Palácio do Planalto, auxiliares do presidente dizem que ele procura um perfil parecido ao de Flávio Dino, antecessor de Lewandowski e hoje ministro do STF.
O secretário-executivo do Ministério da Justiça, Manoel Carlos de Almeida Neto, ficará como interino no cargo, e afirmou à equipe que agirá em “sintonia total” com o Palácio do Planalto, ouvindo a Casa Civil, a Secretaria de Relações Institucionais e a Secretaria de Comunicação Social da Presidência.
Manoel Carlos tem dito, ainda, que, se o presidente quiser, poderá fazer estudos sobre a divisão do ministério, com a criação de uma pasta exclusiva para a segurança.
Lewandowski e Dino sempre foram contra essa separação, sob o argumento de que, sem ter a Polícia Federal na sua órbita, o ministro da Justiça se tornaria uma “rainha da Inglaterra”.

