13 de janeiro de 2026
Politica

TCU articula trégua com Banco Central para conter crise deflagrada após liquidação do Master

Após ser acusado pelo mercado de atuar como um “player político”, o Tribunal de Contas da União (TCU) quer virar logo a página da crise com o Banco Central, iniciada nos últimos dias com suspeitas lançadas sobre a liquidação extrajudicial do Banco Master. Em reunião realizada nesta segunda-feira, 12, tanto o BC como o TCU fizeram uma espécie de “acordo de cavalheiros” para estender a bandeira branca.

Dois técnicos da Corte de Contas farão uma visita a diretores do Banco Central ainda nesta terça, 13, para definir os critérios para a inspeção nos documentos sobre a liquidação do Master, que vai durar menos de um mês. “Vamos entregar os resultados desse processo o mais rápido possível para dar tranquilidade institucional (ao País)”, disse à Coluna do Estadão o presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo. “O sistema de controle sai fortalecido”.

Presidente do TCU, Vital do Rêgo diz que
Presidente do TCU, Vital do Rêgo diz que “o sistema de controle sai fortalecido”

A primeira sessão do TCU após o recesso está marcada para o próximo dia 21, mas, ao que tudo indica, o plenário da Corte não analisará mais o caso.

Relator do processo, o ministro Jhonatan de Jesus, que no último dia 5 havia autorizado a inspeção do BC – e recuado após pressões públicas, despachando o assunto para o plenário –, saiu da reunião desta segunda-feira fazendo elogios ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

Sob reserva, um integrante da Corte disse que o TCU sabe “a hora de esticar a corda e a hora de pôr o pé no acelerador”.

O presidente Lula também atuou como bombeiro na crise. Na semana passada, ele conversou com Vital do Rêgo e mostrou preocupação com o impacto das especulações sobre a liquidação do Master na taxa de juros definida pelo Banco Central. Lula agradeceu o presidente do TCU por entrar em campo para jogar água na fervura.

Na Paraíba, Lula apoiará a candidatura à reeleição do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), que é irmão do presidente do TCU. Tanto na Corte de Contas como no Palácio do Planalto e no PT, porém, todos dizem que esse aval já estava acertado muito antes da crise no banco de Daniel Vorcaro.

Às vésperas do Natal, o prefeito de Patos (PB), Nabor Wanderley (Republicanos), esteve com Lula no Planalto e postou uma foto a seu lado. Pai do presidente da Câmara, Hugo Motta, Nabor também é pré-candidato ao Senado, mas em outra chapa. A postagem foi lida como um sinal da reaproximação do governo com Motta.

Na prática, o presidente não desmente nenhum lado. Motivo: tenta construir um palanque duplo na Paraíba em apoio à sua candidatura ao quarto mandato. A portas fechadas, no entanto, dirigentes do PT afirmam que Motta já conseguiu emplacar o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, que é filiado ao União Brasil, mas integra o seu grupo grupo político.

 

 

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