TCU articula trégua com Banco Central para conter crise deflagrada após liquidação do Master
Após ser acusado pelo mercado de atuar como um “player político”, o Tribunal de Contas da União (TCU) quer virar logo a página da crise com o Banco Central, iniciada nos últimos dias com suspeitas lançadas sobre a liquidação extrajudicial do Banco Master. Em reunião realizada nesta segunda-feira, 12, tanto o BC como o TCU fizeram uma espécie de “acordo de cavalheiros” para estender a bandeira branca.
Dois técnicos da Corte de Contas farão uma visita a diretores do Banco Central ainda nesta terça, 13, para definir os critérios para a inspeção nos documentos sobre a liquidação do Master, que vai durar menos de um mês. “Vamos entregar os resultados desse processo o mais rápido possível para dar tranquilidade institucional (ao País)”, disse à Coluna do Estadão o presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo. “O sistema de controle sai fortalecido”.

A primeira sessão do TCU após o recesso está marcada para o próximo dia 21, mas, ao que tudo indica, o plenário da Corte não analisará mais o caso.
Relator do processo, o ministro Jhonatan de Jesus, que no último dia 5 havia autorizado a inspeção do BC – e recuado após pressões públicas, despachando o assunto para o plenário –, saiu da reunião desta segunda-feira fazendo elogios ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Sob reserva, um integrante da Corte disse que o TCU sabe “a hora de esticar a corda e a hora de pôr o pé no acelerador”.
O presidente Lula também atuou como bombeiro na crise. Na semana passada, ele conversou com Vital do Rêgo e mostrou preocupação com o impacto das especulações sobre a liquidação do Master na taxa de juros definida pelo Banco Central. Lula agradeceu o presidente do TCU por entrar em campo para jogar água na fervura.
Na Paraíba, Lula apoiará a candidatura à reeleição do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), que é irmão do presidente do TCU. Tanto na Corte de Contas como no Palácio do Planalto e no PT, porém, todos dizem que esse aval já estava acertado muito antes da crise no banco de Daniel Vorcaro.
Às vésperas do Natal, o prefeito de Patos (PB), Nabor Wanderley (Republicanos), esteve com Lula no Planalto e postou uma foto a seu lado. Pai do presidente da Câmara, Hugo Motta, Nabor também é pré-candidato ao Senado, mas em outra chapa. A postagem foi lida como um sinal da reaproximação do governo com Motta.
Na prática, o presidente não desmente nenhum lado. Motivo: tenta construir um palanque duplo na Paraíba em apoio à sua candidatura ao quarto mandato. A portas fechadas, no entanto, dirigentes do PT afirmam que Motta já conseguiu emplacar o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, que é filiado ao União Brasil, mas integra o seu grupo grupo político.
