13 de janeiro de 2026
Politica

Pesquisa Meio Ideia: ao desprezar Tarcísio, família Bolsonaro é hoje o maior cabo eleitoral de Lula

Há algo cantado a quatro cantos de uma verdade cristalina: em um país dividido ideologicamente em enormes blocos populacionais, apenas quem conseguir conquistar o centro minoritário irá vencer as eleições. Lula, autodenominado “metamorfose ambulante”, sabe, principalmente em períodos eleitorais, se deslocar para a moderação e conquistar os pejorativamente chamados isentões. Bolsonaro conseguiu, em 2018, manter-se radical em cenário de descalabro, com a crise econômica remanescente do governo Dilma Rousseff e a Operação Lava Jato a todo vapor, a fustigar gente do centro, centro-direita e esquerda.

A conjuntura da vitória de Bolsonaro não se repetiu em 2022 e não se repetirá em 2026 (há toda uma operação para esconder o que há de ainda mais escandaloso em casos como o do Banco Master e não estamos em crise econômica aguda). Hoje, o bolsonarismo afasta o centro, que corre para Lula ou mesmo o nulo. Para vencer o candidato petista, seria preciso um oponente que amealhasse todos os votos da direita e obtivesse um naco expressivo da população indecisa. Tudo isso para ganhar por muito pouco.

Lula e Flávio Bolsonaro devem ser adversários na disputa pelo Planalto neste ano
Lula e Flávio Bolsonaro devem ser adversários na disputa pelo Planalto neste ano

A pesquisa Meio Ideia divulgada hoje mostra em números que a família Bolsonaro despreza todo o raciocínio acima. Insistem em se manter no páreo com o primogênito Flávio Bolsonaro, mesmo com menos possibilidades eleitorais. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também tem possibilidades remotas de vitória. O nome com mais chances do grupo, segundo a pesquisa, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em empate técnico com Lula no segundo turno (44,4% x 42,1%), é abertamente desprezado pelo clã. É cobrado, inclusive, no sentido de fazer declarações públicas de apoio a Flávio e enterrar sua candidatura presidencial.

O caso de Tarcísio de fato é um nó difícil de desatar. Como cria política de Bolsonaro, eleito governador de São Paulo após escolha do ex-presidente, não pode se mexer sem que recaia sobre ele a pecha de traidor. Curioso que todos os demais líderes da direita brasileira parecem baixar a cabeça para a estratégia algo insensata dos Bolsonaros, que pode ter como consequência a quarta vitória de Lula, mesmo desaprovado por 50% da população. O paradoxo colocado é: hoje os Bolsonaros são os maiores cabos eleitorais de Lula. Tem faltado ânimo, coragem e estratégia na direita para combater o bolsonarismo.

O brasileiro diz não querer mais a tal polarização, mas continua viciado nela. Seguimos, portanto, com mais uma eleição disjuntiva entre lulismo e bolsonarismo. Com o aberto boicote bolsonarista, os demais candidatos se paralisam e não podem se apresentar ao País, uma necessidade para vencer, segundo a CEO do Instituto Idea, Cila Schulman.

Má notícias para quem ainda sonha com uma candidatura de centro. Um dos poucos nomes colocados, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, seria massacrado por Lula num eventual segundo turno (45% a 23%). Candidatos como o governador do Paraná, Ratinho JR., ou o de Goiás, Ronaldo Caiado, a depender do cenário em que forem lançados, podem ser decisivos num apoio ao vencedor no segundo turno, num papel que coube a Simone Tebet em 2022. Porém, hoje, a pessoa com mais poder para influenciar a eleição brasileira está confinada numa cela da Polícia Federal, em Brasília.

 

 

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