14 de janeiro de 2026
Politica

PSD do Paraná vive impasse por sucessão de Ratinho Júnior; veja as opções do governador

A menos de três meses do prazo para definir candidatos nas eleições de 2026, o PSD no Paraná não chegou a um nome para a sucessão de Ratinho Júnior. Os principais cotados à indicação do governador são Guto Silva, secretário de Cidades, e Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Ambos já manifestaram publicamente que são pré-candidatos ao Palácio Iguaçu, sede do governo estadual.

Tanto Curi quanto Guto desempenham papéis de destaque na gestão de Ratinho. O deputado estadual é o principal articulador político do governador, enquanto o secretário está à frente da pasta responsável pela interlocução com os municípios do Estado.

O secretário de Cidades do Paraná, Guto Silva, e o presidente da Assembleia do Estado, Alexandre Curi, são os principais cotados para suceder Ratinho Júnior
O secretário de Cidades do Paraná, Guto Silva, e o presidente da Assembleia do Estado, Alexandre Curi, são os principais cotados para suceder Ratinho Júnior

O cenário no Paraná é descrito por interlocutores do PSD como um “enorme impasse” e reflete a indefinição da sigla a nível federal. O partido ainda não selou se terá candidato próprio à Presidência nas eleições de 2026.

O caminho de um candidato de centro, por sua vez, será permeado pela presença ou não do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa. No início de dezembro de 2025, o senador anunciou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) decidiu lançá-lo como candidato a presidente. A disposição do senador em participar do pleito foi reforçada por uma carta atribuída a Jair Bolsonaro divulgada em 25 de dezembro.

Enquanto isso, no Paraná, as pesquisas de intenção de voto ao Iguaçu demonstram potencial de um candidato apoiado por Ratinho. Por ora, em meio ao impasse dos governistas, o senador Sérgio Moro (União Brasil) lidera os últimos levantamentos.

Ao se lançarem como pré-candidatos ao governo estadual, Guto e Curi anteciparam-se a nomes do PSD que correm por fora pelo aval para suceder Ratinho, como o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca e o vice-governador Darci Piana.

Guto Silva é um dos principais aliados do governador. Foi secretário da Casa Civil durante o primeiro mandato de Ratinho, entre 2019 e 2022. Em janeiro de 2023, migrou para a Secretaria de Planejamento do Estado. Em março deste ano, assumiu a pasta de Cidades.

O secretário iniciou a carreira política em 2008, ao se eleger vereador de Pato Branco, no sudoeste do Paraná. Em 2010, candidatou-se a deputado estadual pelo Democratas (hoje, União Brasil), mas não se elegeu. Foi eleito à Alep pela primeira vez em 2014, pelo PSC (incorporado ao Podemos), reelegendo-se no pleito seguinte, já pelo PSD. Em 2022, abriu mão de concorrer ao Senado para coordenar a campanha à reeleição de Ratinho. O pessedista conquistou o segundo mandato ainda no primeiro turno, com 4.243.292 votos.

Já Curi conquistou o primeiro cargo eletivo em 2000, quando se elegeu vereador de Curitiba. Dois anos depois, em 2002, elegeu-se deputado estadual pela primeira vez. Desde então, acumula seis mandatos consecutivos na Alep. Assumiu o comando da Casa em março de 2025.

Tanto Curi quanto Guto Silva já declararam ser pré-candidatos ao governo, mas reforçaram que a indicação do partido ainda não foi definida. Entre o deputado estadual e o secretário, o primeiro a publicizar a pré-candidatura foi o presidente da Alep. Em 18 de setembro, Curi declarou à Rádio Banda B, de Curitiba, ter “desejo e vontade” de obter a indicação do PSD para a disputa. “Se o partido entender que meu nome é a melhor opção, eu quero estar pronto para atender”, disse o parlamentar.

Guto Silva falou sobre a possibilidade de disputar o governo estadual em 10 de outubro, em entrevista à Rádio T, de Ponta Grossa, destacando que “só será candidato com o apoio e aval” de Ratinho Júnior.

Segundo levantamento da Genial/Quaest divulgado em 22 de agosto, o ex-juiz Sergio Moro lidera a corrida ao Iguaçu, com 38% das intenções de voto no cenário estimulado, detendo vantagem de 30 pontos porcentuais sobre o segundo colocado, Paulo Eduardo Martins (Novo), vice-prefeito de Curitiba, que figura com 8% de menções. Enio Verri (PT), diretor da Itaipu Binacional, tem 7%, e Guto Silva, 6%.

Poder de transferência

Embora aponte para a liderança de Moro, o levantamento também mostra potencial de votos de um candidato indicado por Ratinho Júnior: 70% dos paranaenses ouvidos pelo instituto acreditam que o governador merece eleger um sucessor.

A Genial/Quaest ouviu 1.104 eleitores do Paraná entre os dias 13 e 17 de agosto. A margem de erro é de três pontos porcentuais e o índice de confiança é de 95%.

A pré-candidatura de Moro enfrenta rusgas dentro do União Brasil e da federação partidária com o PP. Como mostrou o Estadão, desde a oficialização do acordo entre as siglas, o PP sofreu uma debandada de prefeitos, em uma sinalização de apoio ao grupo político do governador. No início de dezembro de 2025, o PP formalizou sua rejeição ao nome de Moro, criando mais um obstáculo para a candidatura do ex-juiz.

 

 

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