Toffoli vê ‘inércia’ da PF e exige explicação de diretor-geral em 24 horas
O ministro Dias Toffoli, relator do caso do banco Master no Supremo Tribunal Federal, criticou duramente a Polícia Federal pelo fato de a prisão de Fabio Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, ter ocorrido após o prazo estabelecido pelo magistrado. Zettel foi preso por agentes federais na manhã desta quarta-feira, 14, no aeroporto internacional de São Paulo, em Guarulhos, quando tentava embarcar para os Emirados Árabes Unidos. O ministro havia ordenado que a prisão ocorresse no prazo de 24 horas a partir de segunda-feira, 12.

Na decisão que autorizou a prisão temporária de Zettel, Toffoli apontou “inércia” da Polícia Federal e deu 24 horas para o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, prestar esclarecimentos sobre o prazo perdido.
“Observo, ainda, que eventual frustração do cumprimento das medidas requeridas decorre de inércia exclusiva da Polícia Federal, inclusive diante de inobservância expressa e deliberada de decisão por mim proferida na data de 12.01. 2026, que determinou a deflagaração da presente fase no prazo de 24 horas (assinado às 14:52 horas e juntado aos autos às 15:15 horas), e que eventual prejuízo às demais medidas em decorrência do presente pedido são de inteira responsabilidade da autoridade policial”, assinalou Toffoli.
Após a deflagração da operação, Fabiano Zettel foi solto ainda no período da manhã. A defesa do cunhado de Vorcaro afirmou que ainda não teve acesso às informações da investigação para se manifestar.
“Causa espécie a esse Relator não só o descumprimento do prazo por mim estabelecido para cumprimento das medidas cautelares ordenadas, posto que resta claro que outros envolvidos podem estar descaraterizando as provas essenciais ao deslinde da causa, como a falta de empenho no cumprimento da ordem judicial para a qual a Polícia Federal teve vários dias para planejamento e preparação, o que poderá resultar em prejuízo e ineficácia das providências ordenadas”, prosseguiu a decisão.
“Determino, ainda, que o diretor-geral do departamento de Polícia Federal, no prazo subsequente de 24 horas, informe a esta Corte a razão do descumprimento da ordem por mim anteriormente exarada para cumprimento das medidas em prazo legal estabelecido”, decidiu Toffoli sobre os esclarecimentos de Andrei Rodrigues.
A PF cumpre nesta quarta-feira 42 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
Além de Vorcaro, a operação também realiza buscas contra a irmã dele, Natália Vorcaro, seu cunhado Fabiano Zettel, um primo dele, Felipe Cançado Vorcaro, e o pai do banqueiro, Henrique Vorcaro.
Em nota, a defesa de Vorcaro comunicou que o banqueiro “tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes”. (leia a íntegra abaixo)
Fabiano Zettel foi capturado por ordem de Toffoli na Operação Compliance Zero, fase 2, deflagrada nesta quarta.
“Tendo em vista que a liberdade do investigado poderá prejudicar a coleta da prova, especialmente as demais diligências determinadas, bem como a imposição de medida cautelar diversa da prisão consistente na apreensão de seu(s) passaporte(s) e na proibição em sair do país, de forma a possibilitar que o investigado permaneça no Brasil até o fim das investigações”, decidiu o ministro sobre a prisão de Zettel.
COM A PALAVRA, A DEFESA DE DANIEL VORCARO
A defesa de Daniel Vorcaro informa que tomou conhecimento da medida de busca e apreensão e reafirma que o Sr. Vorcaro tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes. Todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência.
O Sr. Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito. A defesa reitera confiança no devido processo legal e seguirá atuando nos autos para que as informações sejam tratadas de forma objetiva e dentro dos limites constitucionais.
