15 de janeiro de 2026
Politica

CPI do INSS quer ouvir ministra do STM por receber R$ 700 mil de empresa ligada a Careca do INSS

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS pode convocar a ministra do Superior Tribunal Militar (STM) Verônica Abdalla Sterman para prestar esclarecimentos sobre um pagamento de R$ 700 mil recebido por seu escritório de advocacia de uma empresa investigada no esquema de desvios no instituto.

O pedido foi apresentado pelo senador Magno Malta (PL-ES). Ele afirma haver contradição factual entre a versão apresentada pela ministra e os dados constantes dos Relatórios de Inteligência Financeira enviados à comissão.

Procurada, a ministra não se manifestou. O espaço segue aberto.

A ministra do Superior Tribunal Militar (STM) Verônica Sterman em sabatina no Senado.
A ministra do Superior Tribunal Militar (STM) Verônica Sterman em sabatina no Senado.

Segundo os documentos citados por Malta, uma empresa ligada ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, realizou um pagamento único de R$ 700 mil ao escritório da então advogada Verônica Sterman.

De acordo com o requerimento, a Polícia Federal apontou que a empresa era utilizada justamente para dificultar o rastreamento de recursos desviados do INSS, o que, na avaliação do senador, lança suspeitas sobre transações financeiras realizadas a partir dela.

Em nota divulgada após a revelação, a ministra afirmou que os valores recebidos correspondem a honorários relativos a três pareceres jurídicos elaborados antes de sua nomeação ao STM e que desconhecia qualquer vínculo da empresa com o investigado.

Para Malta, entretanto, Verônica se contradiz e apenas um depoimento direto poderá esclarecer se o pagamento foi regular, proporcional e compatível com os serviços prestados.

“De um lado, a narrativa de uma contratação técnica regular; de outro, a fria constatação documental de um vultoso recurso saindo de uma empresa que operava na penumbra, sob suspeita de ser instrumento para ocultação de dinheiro. Cabe a esta Casa verificar a compatibilidade entre essas versões, aferindo a regularidade, a proporcionalidade e o contexto integral desse significativo repasse financeiro”, afirma o requerimento.

A convocação tem como objetivo esclarecer a “natureza, extensão e regularidade” do pagamento e avaliar se existe conexão entre os valores recebidos e o esquema de fraudes investigado pela CPMI do INSS, que apura desvios bilionários em contratos de tecnologia, gestão de dados e intermediação de benefícios previdenciários.

O requerimento aguarda deliberação da comissão para que a ministra seja formalmente chamada a depor no colegiado.

Magno Malta também ressalta que, por se tratar de uma ministra de tribunal superior, nomeada pelo presidente da República e aprovada pelo Senado, o dever de transparência é ainda maior.

Verônica tomou posse em setembro do ano passado e se tornou a segunda mulher, em 217 anos, a integrar a mais alta instância da Justiça castrense. A primeira foi a atual presidente da Corte, Maria Elizabeth Rocha.

 

 

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