23 de janeiro de 2026
Politica

Quem é a delegada de Polícia ligada ao PCC que foi presa em São Paulo

A delegada de Polícia Layla Lima Ayub, presa nesta sexta-feira, 16, em São Paulo, é investigada por suspeita de manter vínculos com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital, o PCC. Recém-empossada no cargo, ela se tornou alvo da Operação Serpens, conduzida pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil paulista e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em conjunto com o Gaeco do Pará.

O Estadão busca contato com a defesa de Layla Ayub. O espaço está aberto.

Enquanto delegada, Layla teria participado de uma audiência de custódia na comarca de Marabá, no Pará, para defender um preso apontado como integrante do PCC
Enquanto delegada, Layla teria participado de uma audiência de custódia na comarca de Marabá, no Pará, para defender um preso apontado como integrante do PCC

Antes de ingressar na Polícia Civil de São Paulo, Layla atuou como policial militar no Espírito Santo e como advogada.

Segundo o Ministério Público, mesmo após assumir o cargo de delegada, ela teria exercido de forma irregular a advocacia. Um dos episódios citados na investigação ocorreu em 28 de dezembro, quando Layla teria participado de uma audiência de custódia, por videoconferência, na comarca de Marabá, no Pará, para defender um preso apontado como integrante do PCC.

Outro ponto apurado é que Layla seria formalmente casada com um delegado da Polícia Civil do Pará, que atua na região de Marabá
Outro ponto apurado é que Layla seria formalmente casada com um delegado da Polícia Civil do Pará, que atua na região de Marabá

A Polícia Civil informou “que atua permanentemente para prevenir e impedir a infiltração, influência ou penetração do crime organizado no tecido policial” e que a “missão institucional” da corporação “se estende a todas as carreiras da Polícia Civil e constitui uma de suas prioridades estratégicas”. (leia a íntegra abaixo)

As apurações também indicam que Layla mantinha um relacionamento amoroso com Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como ‘Dedel’, apontado como uma das lideranças da facção no Pará.

Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como 'Dedel', apontado como uma das lideranças do PCC no Pará e namorado da delegada
Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como ‘Dedel’, apontado como uma das lideranças do PCC no Pará e namorado da delegada

Em livramento condicional por condenação por tráfico de drogas, Jardel teria descumprido determinações judiciais ao se deslocar para São Paulo sem autorização, segundo a investigação. Ele é um dos alvos dos mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça.

Imagens reunidas no inquérito mostram que Jardel acompanhou Layla na cerimônia de posse como delegada, realizada no Palácio dos Bandeirantes, em 19 de dezembro, evento que contou com a presença de diversas autoridades, entre elas o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

A investigação aponta ainda que Layla e Jardel passaram a residir juntos em São Paulo após a posse da delegada, período em que ela frequentava o curso de formação da carreira na Academia da Polícia Civil. Há também indícios de que o casal teria adquirido uma padaria na zona leste da capital paulista pouco depois da mudança.

Outro ponto apurado é que Layla seria formalmente casada com um delegado da Polícia Civil do Pará, que atua na região de Marabá. A informação foi checada no curso das investigações abertas a partir de uma notícia-crime anônima encaminhada às autoridades.

A Justiça autorizou sete mandados de busca e apreensão em São Paulo e em Marabá, além das prisões temporárias. Layla foi detida em uma casa alugada na zona oeste da capital paulista e levada à Academia da Polícia Civil, onde mantinha pertences em um armário funcional, recolhidos para a produção de novas provas.

COM A PALAVRA, A CORREGEDORIA DA POLÍCIA DE SÃO PAULO

A Polícia Civil do Estado de São Paulo informa que a Corregedoria-Geral da Polícia Civil do Estado de São Paulo por meio de seus mecanismos internos de controle, identificou indícios de irregularidades envolvendo uma delegada de polícia recém‑empossada, incluindo possível atuação em contexto relacionado a organização criminosa.

Diante dos elementos iniciais verificados, a Corregedoria Geral adotou de imediato todas as providências cabíveis, instaurando procedimentos administrativos e criminais, realizando diligências destinadas à apuração técnica, rigorosa e completa dos fatos.

As informações disponíveis apontam para possível exercício de atividade incompatível com o cargo público, além da existência de vínculos pessoais e profissionais com indivíduo identificado como integrante de facção criminosa com atuação interestadual.

A Polícia Civil ressalta que atua permanentemente para prevenir e impedir a infiltração, influência ou penetração do crime organizado no tecido policial, missão institucional que se estende a todas as carreiras da Polícia Civil e constitui uma de suas prioridades estratégicas.

Todas as ações seguem critérios de imparcialidade, rigor técnico e sigilo, assegurando o devido processo legal e a preservação da integridade da servidora.

A Polícia Civil destaca que essa atuação integra um esforço conjunto com o Ministério Público do Estado de São Paulo, por intermédio da Corregedoria Geral da Polícia Civil e do GAECO – Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado /SP e GAECO – Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado /PA, fortalecendo os mecanismos de detecção, prevenção e responsabilização de desvios funcionais.

A instituição reafirma seu compromisso inabalável com a legalidade, transparência e proteção da sociedade, atuando de forma proativa para bloquear qualquer tentativa de infiltração do crime organizado no âmbito da Polícia Civil e resguardar a confiança da população paulista.

 

 

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