Fundador da Reag usou filhos em crimes financeiros com Banco Master, diz Procuradoria
BRASÍLIA – A investigação sobre gestão fraudulenta do Banco Master afirma que um dos braços das fraudes era a gestora de valores Reag, que foi liquidada nesta semana pelo Banco Central após se tornar alvo da operação. Segundo a investigação, a gestora atuava em “participação coordenada” com o banco para estruturar fundos e desviar recursos para o dono do Master, Daniel Vorcaro, e seus familiares.

Em trechos da investigação, o Ministério Público Federal afirmou que o fundador da Reag, João Carlos Mansur, usou até mesmo os seus filhos para executar esses crimes financeiros. Os argumentos foram citados ao concordar com o pedido complementar da Polícia Federal para incluir Mansur entre os alvos de busca e apreensão.
A defesa dele disse que não teve acesso à investigação, mas que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
“De rigor o deferimento do pedido adicional de busca e apreensão em relação a JOÃO MANSUR, notadamente diante da representação do BACEN que demonstra a utilização da REAG para o desvio de valores do BANCO MASTER e considerando que pessoas relacionadas a JOÃO MANSUR – seus filhos – foram utilizados para a prática dos crimes”, escreveu a Procuradoria.
A investigação detalha que os filhos do executivo – Lucas, Marina e Alex Falbo Mansur – aparecem como beneficiários finais declarados de uma extensa cadeia de controle que inclui os fundos Astralo 95 e Reag Growth 95.
Esses fundos protagonizaram transações bilionárias suspeitas. O documento cita um fluxo realizado entre abril e maio de 2024, onde o Banco Master desembolsou R$ 1,45 bilhão, sendo que R$ 1,38 bilhão retornou para a própria instituição através da compra de CDBs por esses fundos da Reag. A manobra servia para inflar ativos e simular liquidez.
A apuração também detectou que a estrutura da Reag serviu para ocultar a participação de Daniel Vorcaro em outros negócios. O fundo “Galo Forte”, que pertencia 100% ao fundo Astralo 95 (da família Mansur), passou a ter 80% de suas cotas transferidas para Vorcaro em dezembro de 2024, confirmando a ligação direta entre os desvios e o banqueiro.
“A extensão e a complexidade destas cadeias de transações apresentam indícios de que as operações foram estruturadas mediante a participação coordenada do BANCO MASTER e da REAG DTVM, possuindo o objetivo comum de desviar recursos do Conglomerado MASTER para outros veículos com destinação alheia aos interesses da instituição”, complementou o Ministério Público Federal.
O empresário estava fora do País quando foi deflagrada a operação e, por isso, não teve seus celulares apreendidos. Os filhos dele não foram alvo de busca e apreensão.
Fundada em 2012 por João Carlos Mansur e tendo alcançado o posto de maior gestora independente do Brasil com R$ 341,5 bilhões sob administração, a Reag (recentemente rebatizada como CBSF) sofreu uma rápida derrocada após investigações da Polícia Federal e do Gaeco a conectarem a esquemas de lavagem de dinheiro do PCC e, nesta semana, a uma teia de fraudes financeiras ligada ao Banco Master.
A instituição, apontada pela CVM por manter uma “cultura de negligência” e falhas graves no controle da origem de recursos de clientes, passou a se desfazer de ativos após a Operação Carbono Oculto e teve sua trajetória encerrada definitivamente com a liquidação extrajudicial decretada nesta quinta-feira, 15, pelo Banco Central.
Com a palavra, a defesa de João Carlos Mansur
O criminalista José Luís Oliveira Lima afirmou que não teve acesso a investigação, mas registrou que está à disposição das autoridades competentes para prestar os esclarecimentos devidos.
Com a palavra, a defesa de Daniel Vorcaro
A defesa de Daniel Vorcaro informa que tomou conhecimento da medida de busca e apreensão e reafirma que o Sr. Vorcaro tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes. Todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência.
O Sr. Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito. A defesa reitera confiança no devido processo legal e seguirá atuando nos autos para que as informações sejam tratadas de forma objetiva e dentro dos limites constitucionais.
