24 de janeiro de 2026
Politica

A dúvida de Lula: Quais as reais intenções de Trump em Gaza, paz, resort macabro ou dono do mundo?

Dúvida atroz de Lula: aceitar ou não o convite de Donald Trump para integrar o tal Conselho de Paz para a Faixa de Gaza, sem saber ou compreender exatamente o que está por trás tanto do convite quanto da criação do próprio conselho. Em se tratando de Trump, tudo é possível e as piores respostas são sempre as mais prováveis. E se for uma armadilha?

Depois de ameaçar ser presidente da Venezuela, da Groenlândia e, quem sabe, do Canadá, Trump cria e assume a presidência do conselho de paz em Gaza passando por cima da ONU, escolhe os membros e estabelece as regras e condições, como mandato de três anos e o preço de US$ 1 bilhão, por país, para uma vaga vitalícia.

Donald Trump convidou Lula para participar de conselho de paz para Gaza
Donald Trump convidou Lula para participar de conselho de paz para Gaza

Dessa vez, a gula de Trump não é por petróleo nem por questões estratégicas, mas simplesmente para agir como dono e grande pacificador do mundo. Ou será para transformar seu sonho em realidade e criar um resort em cima dos destroços de Gaza, onde magnatas de todo o mundo possam se divertir sobre as histórias, tragédias e mortes de muitos milhares de pessoas?

Dá para apostar que Trump não meteu Lula no meio pela “ótima química” entre eles, nem porque Jair Bolsonaro mudou para a Papudinha e nem mesmo para dar um verniz de “pluralidade” para o conselho, já que Lula não apenas classifica os ataques em Gaza como “genocídio” como mantém, digamos, um rompimento branco com Israel.

Trump não está nem aí para “pluralidade”, que deve achar “coisa de comunista”, mas gosta tanto de terras raras quanto de petróleo e, certamente, muito mais do que de resorts macabros. O convite para Lula pode, portanto, estar no contexto de negociações para um acordo de cooperação em que o Brasil entre com seu subsolo e os EUA, com sua tecnologia, para a exploração de minerais críticos, o “ouro do futuro”.

A França já rejeitou o convite, mas o Brasil negar seria deselegante e inapropriado diplomaticamente, já que, à primeira vista, a iniciativa de Trump é uma deferência com Lula e o conselho, tal como anunciado, é para buscar consensos pela paz e a reconstrução de Gaza. Como dizer não, sem criar mal estar e reabrir feridas com os EUA?

De outro lado, há riscos em aceitar. Lula pode se ver numa posição desagradável, ou fazendo claque para Trump, ou liderando o confronto e impedindo consensos anti-palestinos. Nos dois casos, haveria reflexos na política externa e interna do Brasil, atiçando debates inflamados num ano eleitoral. Pular fora, depois de aceitar, ficaria ainda pior do que dizer não desde o início. As intenções de Trump não são claras, é melhor prevenir do que remediar?

Planalto e o Itamaraty quebram a cabeça para tentar captar o real interesse de Trump com o convite e consideram, inclusive, uma saída de fininho. Como se negasse um compromisso importante, mas chato, Lula agradeceria, lamentaria muito e argumentaria que está muito ocupado com reeleição, Congresso, questão fiscal, futuro da Venezuela, violência, acordo com a União Europeia, Nikolas Ferreira, enchentes e até o calorão infernal…

Só não vai poder lamentar a ausência depois, se os resultados forem realmente fabulosos, nem reclamar quando, ao contrário, começarem as obras do resort dos sonhos de Trump em Gaza.

 

 

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