Bilu, Azimut, Jimmy, Biel Work, Nando New: alvos da PF que lavavam dinheiro do PCC com criptomoedas
Alvos da Operação Narco Azimut nesta quarta-feira, 21, sete suspeitos são investigados por lavar dinheiro do crime organizado e movimentar cerca de R$ 39 milhões por meio de criptoativos. Segundo a investigação, os integrantes do grupo, conhecidos pelos vulgos ‘Azimut’, ‘Jimmy’, ‘ZK Pantanal’, ‘Biel Work’, ‘Bilu’ e ‘Nando New’, atuavam em uma “dinâmica estruturada”, integrada a um “esquema sofisticado” a serviço do crime organizado.
A operação cumpriu sete mandados de busca e apreensão e de prisão temporária expedidos pelo juiz Roberto Lemos dos Santos, da 5ª Vara Federal de Santos, em endereços na Baixada Santista, Ferraz de Vasconcelos, São Bernardo do Campo e São José dos Campos, em São Paulo, além de Goiânia e em Armação de Búzios, no Rio de Janeiro.
Os sete alvos da Polícia Federal nesta quarta-feira são Davidson Praça Lopes, o ‘Azimut‘, apontado como líder do esquema de lavagem com criptoativos; Fernando Henrique Cateano da Cunha, o ‘Jimmy‘, sócio de Davidson e responsável pela movimentação das criptomoedas; Ezequiel da Silva, o ‘ZKPantanal‘, descrito como gestor estratégico do grupo criminoso; João Gabriel de Jesus Fernandes, o ‘Biel Work‘, operador logístico do esquema; Rafael Pio de Almeida, o ‘Bilu‘, responsável pelo transporte de dinheiro vivo na Baixada Santista; Marcelo Henrique Antunes da Palma, apontado como intermediário de operações de alto valor; e Júlio Cesar Oliveira Otaviano, o ‘Nando New‘ encarregado do repasses de valores por meio de transferências bancárias e criptoativos.
“Os registros analisados indicam uma dinâmica operacional estruturada, comatuação coordenada, com todosparticipando de etapas distintas do fluxo financeiro – desde a coleta e o transporte do numerário até a conversão e liquidação de valores em contas nacionais e estrangeiras”, assinala a decisão judicial que autorizou a prisão do grupo criminoso.
Para a PF, a coordenação do grupo era centralizada nas figuras de ‘Azimut’ e ‘Jimmy’, que atuariam “como verdadeiros líderes do esquema, definindo os valores, os destinos, osintermediários e os cronogramas que deveriam ser respeitados para ofuncionamento das movimentações espúrias do grupo”.
Davidson Praça Lopes, o ‘Azimut’, suposto líder do esquema de lavagem de capitais, está preso no Centro de Detenção Provisória de São Vicente, no litoral paulista.
O Estadão busca contato com a defesa dos investigados. O espaço está aberto.
Grupo no ‘Zap’
No curso das investigações, os federais interceptaram um grupo no WhatsApp, chamado de ‘X Azimut’, voltado “exclusivamente à operacionalização financeira” do esquema, “posteriormente migrado para o aplicativo de conversas Signal, tudo com o objetivo de reforçar o sigilo das comunicações de natureza espúria”, diz a decisão do juiz Roberto Lemos dos Santos.
A atuação dos suspeitos, segundo a PF, “configura um verdadeiro sistema financeiro paralelo, operando à margem do controle estatal e do sistema bancário formal”.
“Tal aparato permitiu a realização de pagamentos no exterior, compensações cambiais informais e a circulação de grandes quantias de recursos com reduzida rastreabilidade, mediante o uso combinado de movimentações em espécie, transferências bancárias e criptoativos”, afirmam os federais.
As transações do grupo criminoso teriam atingido a quantia de R$ 39 milhões. “Destacando-se desse montante, aproximadamente R$ 15,5 milhões movimentados em espécie, R$ 8,7 milhões por meio de transferências bancárias e R$ 15,4 milhões em criptoativos”, aponta a decisão judicial que autorizou a operação.
‘Contador do PCC’ e ‘Lobo IV’
As diligências desta quarta-feira fazem parte do mesmo escopo de investigação que prendeu Rodrigo de Paula Morgado em outubro de 2025, apontado pelos federais como contador do Primeiro Comando da Capital (PCC) e um dos criminosos com “atuação decisiva na aquisição do veleiro Lobo IV”.

O veleiro foi apreendido pela Marinha dos Estados Unidos em fevereiro de 2023, em alto-mar próximo ao continente africano, e transportava três toneladas de cocaína.
O inquérito da Polícia Federal no âmbito da Operação Narco Azimut afirma que Morgado “utilizou desse mesmo aparato criminoso para atender seus clientes, realizando pagamentos, transferências e conversões de ativos por meio da rede estruturada por Davidson Praça Lopes”, líder do esquema.
Para a Polícia Federal, Davidson e a empresa Ápice Desenvolvimento e Liderança Eireli “não apenas movimentaram quase R$ 2 milhões com Rodrigo de Paula Morgado, como também transferiram R$ 80 mil para a empresa JC Cunha Marketing Ltda., pessoa jurídica diretamente vinculada à aquisição do veleiro Lobo IV”.
“Tais operações financeiras, por sua complexidade, volume e conexões com empresas já identificadas em esquemas criminosos, reforçaram a hipótese de que Davidson integra uma rede de movimentações financeiras suspeitas estruturadas em torno de Morgado”, assinalada a investigação.
Em novembro, Morgado foi denunciado pelo Ministério Público Federal por lavagem de dinheiro e organização criminosa.
