24 de janeiro de 2026
Politica

Carro oficial e motorista: o conforto milionário das autoridades em Brasília

BRASÍLIA – É praxe entre autoridades dos três Poderes o uso de carros oficiais para deslocamento em Brasília. Esses veículos são, geralmente, carros luxuosos e confortáveis que geram gastos elevados para a máquina pública seja com aluguéis, aquisições, manutenção ou contratação de condutores para essas frotas.

No cenário federal, passa das centenas o número de pessoas com direito a transporte em veículo oficial para deslocamento a trabalho, o que por vezes inclui ida e volta para casa custeadas com dinheiro público.

Recentemente, o Senado fechou um contrato por cinco anos, no valor de R$ 47 milhões, com uma empresa de aluguel de carros para oferecer transporte executivo aos senadores. O valor equivale a mais de R$ 783 mil por mês para 79 veículos da marca Chevrolet modelo Equinox.

Fachada do Palácio do Congresso Nacional.
Fachada do Palácio do Congresso Nacional.

Existe também outro contrato em vigência no Senado, no valor de R$ 758 mil por dois anos, que fornece 2 carros blindados modelo Toyota SW4 exclusivamente para a Presidência do Senado. Um é para o deslocamento do presidente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP); o outro, para o transporte da equipe de seguranças dele.

Mas para dirigir esses veículos são necessários motoristas, o que eleva ainda mais a conta. São outros R$ 6,5 milhões para essa despesa.

Diferentemente do Senado, a Câmara não oferece veículos para todos os 513 deputados. Ainda assim, o órgão conta com um número expressivo de carros, incluindo modelos blindados, para atender principalmente aos membros da Mesa Diretora da Casa.

A Câmara vai desembolsar R$ 21 milhões em um contrato de 2 anos, que termina em 2027, para ter ao seu dispor 73 carros alugados de vários modelos para diferentes propósitos. A lista inclui, por exemplo, 28 carros modelos SUV para serem utilizados por deputados e um SUV adicional com blindagem para o presidente da Casa. O contrato também prevê viaturas para a polícia legislativa, vans e até caminhão.

Assim como o Senado, a Câmara tem outro contrato no valor de R$ 34 milhões até 2027 para ter ao seu dispor motoristas.

O cenário não é muito diferente no Judiciário, onde as autoridades recebem os salários mais próximos, iguais e por vezes até acima do teto do funcionalismo público.

O Supremo Tribunal Federal firmou nos últimos sete anos 12 contratos de aquisição de veículos, em sua maioria sedan para representação institucional, totalizando R$ 13 milhões. Um desses contratos, no valor de R$ 2,75 milhões, previa a aquisição de 14 carros blindados modelo sedan.

Dados divulgados pelo STF em setembro do ano passado mostram que a frota naquele mês era de 97 veículos. Em 2025, o STF gastou mais R$ 2,3 milhões apenas com a condução desses veículos e, ao todo, entre gastos com combustível, lavagem e demais serviços foram mais de R$ 3,7 milhões desembolsados.

Já o governo federal, cuja estrutura é muito maior do que a do Congresso e do STF, disponibiliza menos informações. Cada pasta pode fazer o seu próprio processo de aquisição ou aluguel de veículos, conforme julgar necessário.

Segundo dados divulgados pela Secretaria-Geral da Presidência via Lei de Acesso à Informação em 2017, a Presidência da República contava com 306 veículos oficiais, sendo 172 da Secretaria de Administração, 110 do Gabinete de Segurança Institucional e 24 veículos em comodato.

Entre tantos valores e informações, vale destacar que não funciona assim em todo lugar. Em países como Suécia e Noruega, apenas um número seleto de autoridades têm direito à veículos oficiais à sua disposição.

Informações reunidas pela BBC em 2019 mostram que o Parlamento da Suécia contava com apenas carros de representação institucional, que ficavam disponíveis somente ao presidente e seus três vice-presidentes. Já no Executivo, ministros de Estado podem requisitar veículos em situações excepcionais, quando há “fortes razões”. No País nórdico, somente o primeiro-ministro tem direito a contar com um veículo em caráter permanente.

Em 2013, a Rede Nossa São Paulo publicou um estudo comparando o uso de carros oficiais por autoridades paulistas em relação a políticos no resto do mundo. O documento mostra, por exemplo, que na Holanda os parlamentares não têm direito a carros oficiais e precisam arcar com as despesas dos poucos veículos disponíveis quando forem fazer uso.

Já na Noruega, apenas 20 veículos estão disponíveis para todo o governo e apenas o primeiro-ministro conta com um carro de uso exclusivo.

 

 

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