Janeiro Branco: Brasil enfrenta crise de saúde mental e é líder mundial em transtornos de ansiedade
Assistimos, muitas vezes de forma apática, a um aumento significativo dos casos de transtornos de saúde mental no período pós-pandemia. Impulsionados pelo estresse no trabalho e na vida pessoal, esses quadros têm levado a recordes de afastamentos do trabalho, especialmente entre os jovens, que hoje superam os adultos nos registros de transtornos de ansiedade no SUS.
A depressão também segue em crescimento e já afeta mais de 5% da população. Estudos recentes apontam que jovens entre 10 e 19 anos apresentam maior risco de suicídio do que adultos — um dado alarmante que evidencia a gravidade do cenário.
A cada início de ano, a campanha Janeiro Branco volta a discutir o tema, porém muitas vezes de forma superficial, em torno de um assunto ainda cercado de preconceitos e estereótipos. Enquanto isso, seguimos com poucas — para não dizer nenhuma — políticas públicas efetivas voltadas à população de baixa renda.
Sem recursos, muitas pessoas acabam pagando com a própria vida por não terem acesso ou sequer saberem onde buscar ajuda especializada. Medicações, acompanhamento terapêutico e profissionais qualificados têm custos elevados e, mais uma vez, tornam-se privilégio de uma minoria.
“Transformar os serviços de saúde mental é um dos desafios mais urgentes da saúde pública”, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde. “Investir em saúde mental significa investir em pessoas, comunidades e economias — um investimento que nenhum país pode se dar ao luxo de negligenciar. Todo governo e todo líder têm a responsabilidade de agir com urgência e garantir que a atenção à saúde mental seja tratada não como um privilégio, mas como um direito básico de todos.”
O relatório World Health Today mostra que, embora a prevalência dos transtornos mentais varie entre os sexos, as mulheres são desproporcionalmente mais afetadas. Transtornos de ansiedade e depressivos figuram como os mais comuns tanto entre homens quanto entre mulheres.
Passou da hora de a população cobrar do poder público ações concretas. Centros de atendimento em saúde mental precisam ser implementados nas regiões periféricas, com acesso rápido, atendimento efetivo e gratuito.
Somente assim será possível salvar vidas e garantir condições dignas a quem sofre com doenças sérias, que impactam não apenas indivíduos e famílias, mas também a economia de um país inteiro.
