O silêncio de Toffoli soa como confissão de culpa
É tanta revelação em sequência desde que o ministro do Supremo Tribunal Federal José Dias Toffoli foi parar em um jatinho rumo a Lima em companhia de advogado do liquidado Banco Master, que o silêncio do envolvido se tornou uma espécie de confissão de culpa para o perplexo público externo. São suspeitas de ser proprietário oculto de resort via uso de laranjas (confiram a reportagem do Estadão), sociedades com parentes de gente ligada ao banco, tráfico de influência e algo a mais. Tudo somado com uma tentativa desesperada, na aparência, de controlar o caso que o envolve por meio de decretação de sigilo e limites à ação da Polícia Federal.
Ninguém é culpado até a decisão final da Justiça, podem dizer os que se apegam à lei. Mas a questão Toffoli vai bem além do Judiciário. Tornou-se moral. Tornou-se também política. Aliás, ministros do STF, por ações e declarações, se sentiram bastante confortáveis em se tornar personagens da política diária brasileira. Agora precisam suportar o escrutínio que envolve todo mundo que resolve entrar para a vida pública, que pode se tornar avassalador.

Ainda não temos o chamado “outro lado” de Toffoli. As reportagens sobre o assunto muitas vezes contêm a seguinte informação: “Procurado, o gabinete do ministro não respondeu”, algo assim. Por que essa estratégia da mudez? Por se sentir injustiçado? Por se sentir acima da lei? Para preparar um contra-ataque aos caluniosos? Ou pior, por não saber o que responder frente à avalanche de informações? O silêncio, no caso, tem sido uma péssima saída, porque alimenta as mais indômitas interpretações.
Se, de um lado, a sociedade e parte do Congresso falam abertamente de impeachment do ministro, de outro, consta que Toffoli não pretende abrir mão nem mesmo da condução do caso Master. Recebeu hoje, inclusive, um auxílio da providência, quer dizer, da Procuradoria-Geral da República (PGR), que não viu necessidade de impedimento do ministro na investigação do escândalo pela tal carona no jatinho. Mais um fator de espanto para os espectadores e lesados.
Há apenas quatro meses, o Supremo era tido como herói de parte da nação, após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Agora, foi arrastado na lama do Banco Master. O ministro Alexandre de Moraes, principal algoz do ex-presidente, está quase tão enrolado quanto seu colega, pelo mal explicado contrato de R$ 129 milhões de sua esposa, Viviane Barci, com a instituição falida. O triunfalismo da Corte tinha pés de barro e temos mais um exemplo, entre tantos, de a soberba preceder a queda.
