Isto é um assalto!
O escândalo envolvendo o Banco Master, com liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central, trouxe à tona um problema recorrente: a fragilidade dos mecanismos de controle, a opacidade em determinadas operações financeiras e a dificuldade histórica do Brasil em lidar com irregularidades de forma rápida, técnica e transparente.
De acordo com as investigações em curso e informações já tornadas públicas, a suspeita recai em operações financeiras complexas, possíveis inconsistências contábeis, movimentações atípicas de recursos e indícios de práticas que podem ter violado normas do sistema financeiro nacional.
As apurações buscam esclarecer se houve gestão temerária, omissões deliberadas de informações, uso inadequado de instrumentos financeiros e eventual prejuízo a investidores, clientes ou ao próprio sistema bancário.
Ocorrências desta natureza não surgem do nada. Elas costumam ser o resultado de falhas acumuladas: governança frágil, fiscalização insuficiente, estruturas de controle interno deficientes e, muitas vezes, uma cultura de tolerância com riscos excessivos e pouca transparência.
O ponto central não é apenas o Banco Master, mas o que ele simboliza. Sempre que uma desordem financeira vem à tona, o impacto extrapola a instituição envolvida. A confiança no sistema como um todo é abalada, investidores ficam mais cautelosos, o crédito encarece e a Economia real, aquela que afeta empregos, empresas e famílias, acaba pagando a conta.
Por isso, é fundamental que as investigações avancem com total independência e clareza. O papel do Banco Central e dos demais órgãos de controle é decisivo. A sociedade precisa saber o que e como aconteceu, quem são os responsáveis e quais medidas serão adotadas para evitar que situações semelhantes se repitam. Afinal, transparência não pode ser seletiva, muito menos condicionada a interesses políticos, partidários, pessoais ou econômicos.
O Brasil não aguenta mais altercações. Não suporta mais a sensação de impunidade, nem a repetição de crises que poderiam ser evitadas com gestão profissional, fiscalização eficiente e regras claras. Cada nova celeuma reforça a percepção de que aprendemos pouco com os erros do passado – aliás, nem tão pretéritos, assim, convenhamos.
Investigar “doa a quem doer” não é discurso radical – é obrigação republicana. Não se trata de condenar previamente, mas, sim, de apurar o caso Banco Master com seriedade, sem blindagens e sem conivência e conveniência. Só assim será possível reconstruir a confiança, fortalecer as instituições e mostrar que o País leva a sério a integridade do seu arranjo financeiro.
O caminho para o desenvolvimento do Brasil passa, necessariamente, por menos escândalos e mais gestão balizada em responsabilidade, ética e transparência. Esta nação precisa romper com o ciclo da crise permanente e avançar para uma cultura de prevenção, de controle e de respeito ao interesse público. Esse é, ao meu ver, o verdadeiro teste de maturidade institucional que o País precisa enfrentar, e agora!
