Eduardo Paes mira 2030 e quer ocupar vácuo de liderança no PT pós-Lula
Pré-candidato ao governo do Rio, o prefeito Eduardo Paes (PSD) já está de olho nas eleições de 2030. Diante da ausência de sucessor do presidente Lula (PT), aliados do prefeito ventilam nos bastidores o seu nome como um possível herdeiro do espólio do petista, especialmente entre o eleitorado de centro.
A avaliação é de que isso, por óbvio, ainda dependerá de muitos fatores, como ganhar as eleições para o governo do Rio, fazer uma boa gestão no Estado e se tornar conhecido nacionalmente.
Apesar da desconfiança de parte do PT, que cogita inclusive lançar André Ceciliano, secretário de Assuntos Parlamentares da Presidência, ao governo do Rio como um plano B, o prefeito foi a Brasília e jurou lealdade a Lula. É também o que dizem todos os aliados próximos de Eduardo Paes.
“O Eduardo (Paes) quer que o Lula ganhe, é o último mandato dele e a esquerda não tem nome, se Eduardo faz um bom governo aqui, ele é o candidato a presidente da República do centro, centro-esquerda”, avalia uma pessoa do entorno de Paes.
Paes fechado com Lula no Rio
O deputado Pedro Paulo (PSD), um dos nomes mais próximos ao prefeito, é categórico ao falar do apoio a Lula no Rio.
“O Brasil inteiro sabe da relação do Eduardo (Paes) com o Lula, isso não é segredo pra ninguém”, afirmou.
Presidente do PSD no Rio, o deputado diz ainda que Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, está ciente do apoio fechado a Lula no Rio, a despeito do seu desejo de lançar Ratinho Junior, governador do Paraná, como candidato a presidente.
“Ele (Paes) vai estar com o Lula, não ficaria nem bem ser diferente, o eleitor não gosta de traição”, completou Pedro Paulo.
Herança brizolista
Pesam em favor de Eduardo Paes, segundo aliados do prefeito que já olham para 2030, o fato de ele ter bom trânsito político, ter uma boa relação com o presidente Lula e não ter pendengas na Justiça. Ele foi citado na Operação Lava Jato, acusado de caixa 2 na eleição municipal de 2012 e corrupção passiva, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou, em 2024, as decisões do ex-juiz Marcelo Bretas no processo que mencionava Paes.
Um cacique político do Rio avalia que o prefeito faz parte da escola política do ex-governador Leonel Brizola, que não seria uma escola patrimonialista, de usar a política para enriquecimento, e sim como um instrumento de poder:
“O Eduardo é da escola do Brizola, que não enxerga a política para fazer patrimônio, ele vê a política como instrumento de poder e ganho de espaço para realizar coisas. Ele é um jogador diferente”, afirma este aliado, que completa: “Quando outros governantes entraram no Rio é que ‘deu ruim’”, diz, citando como exemplo o ex-governador Sérgio Cabral, condenado em 23 processos a penas que, somadas, chegam a 425 anos.

