Ex-superintendente do Master diz à PF que não participou de contrato suspeito de fraude com BRB
BRASÍLIA – O ex-superintendente de Tesouraria do Banco Master, Alberto Felix de Oliveira, afirmou em depoimento prestado à Polícia Federal nesta segunda-feira, 26, que não participou do objeto do contrato de venda de carteiras de crédito consignado suspeitas de falsificação, que foram vendidas pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao Banco de Brasília (BRB) por R$ 12,2 bilhões.
Por orientação da defesa, Felix decidiu não responder às perguntas da PF por não ter tido acesso aos autos da investigação. Mas pediu a palavra para fazer alguns esclarecimentos à delegada do caso, Janaína Palazzo.
Ele afirmou que assinou documentos sobre a cessão de créditos da empresa Tirreno, suspeitos de falsificação, apenas porque os instrumentos contratuais do Master exigiam a assinatura de dois diretores. Segundo ele, por não ocupar o posto de diretor, ele recebeu procuração para realizar a assinatura dos instrumentos, mas não participou da negociação do objeto desses contratos.
Felix afirmou que era apenas funcionário do banco e não tinha autonomia para formular contratos ou tomar decisões desse tipo. Após a sua fala inicial, o depoimento foi encerrado sem as perguntas da PF.
Ele foi ouvido no primeiro dia da nova rodada de depoimentos colhidos pela PF nesta segunda-feira, 26, dentro da investigação sobre a oferta de venda do Master ao BRB. O ex-diretor de Finanças do BRB, Dario Oswaldo Garcia Júnior, respondeu a todas as perguntas da PF e esclareceu aos investigadores os procedimentos de aportes do banco público do Distrito Federal na instituição do banqueiro Daniel Vorcaro.
A avaliação de quem acompanhou as oitivas, entretanto, é a de que Dario não apresentou informações novas para a investigação. O teor do depoimento está sob sigilo.
Dois outros investigados que haviam sido intimados a prestar depoimento pediram para não comparecer, sob o argumento de que não tiveram acesso aos autos. André Felipe Seixas Maia e Henrique Peretto são suspeitos de participar de uma operação para gerar falsas carteiras de crédito consignado ao Master, que foram repassadas para o BRB por um valor de R$ 12,2 bilhões. Seus depoimentos devem ser remarcados.
Foi nessa operação financeira que, de acordo com as investigações da Polícia Federal, foram apresentadas falsas informações aos órgãos reguladores, com potencial de dar prejuízo aos cofres do BRB. As falsas carteiras de crédito foram substituídas por outros ativos do Master, mas a investigação ainda apura se esses ativos efetivamente existem e têm liquidez.
Na terça-feira, 27, a PF também deve colher outros quatro depoimentos: do ex-sócio do Master, Augusto Ferreira Lima, de um ex-diretor do BRB e de dois ex-diretores do Master.
