Após rombo bilionário, Correios abrem seleção de superintendentes para driblar indicações políticas
Os Correios abriram neste mês um processo seletivo interno para a formação de um “banco de elegíveis” ao cargo de superintendente estadual, em todo o País. Após conseguir empréstimo de R$ 12 bilhões, com garantia do Tesouro, para enfrentar uma crise financeira sem precedentes, a empresa começa agora a pôr em prática o plano de recuperação.
Uma das metas do novo presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, é blindar a companhia do loteamento político, embora muitas de suas diretorias tenham sido ocupadas por indicados do PT e do União Brasil. Economista formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Rondon é funcionário de carreira do Banco do Brasil.
O rombo dos Correios não vem de hoje. Na prática, a queda no envio de cartas, o impacto da chamada “taxa das blusinhas” nas compras internacionais e a concorrência com empresas privadas, por si só, não explicam a situação de descalabro a que chegou a estatal Correios.

Desde o lançamento do processo de seleção para o “banco de elegíveis” ao cargo de superintendente estadual da companhia, porém, 2.245 empregados se inscreveram. O edital permite a participação de funcionários de diferentes carreiras, de carteiros a administradores. As inscrições se encerram nesta sexta-feira, 30.
A empresa informou que o “banco de elegíveis” funcionará como um cadastro de reserva, permitindo que profissionais previamente avaliados e considerados aptos sejam chamados, quando houver vagas.
Para tentar sair do “buraco”, os Correios anunciaram, ainda, o fechamento de até mil agências e a venda de imóveis, além de um Programa de Demissão Voluntária (PDV) de 15 mil funcionários até 2027.
Em 2025, um detalhado diagnóstico das contas dos Correios identificou déficit estrutural superior a R$ 4 bilhões por ano, patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões e prejuízo acumulado de R$ 6,057 bilhões até setembro. Se nada fosse feito, o déficit poderia chegar a R$ 23 bilhões neste ano.
