2 de fevereiro de 2026
Politica

PT prefere Haddad a Tebet para governo de SP e rejeita dividir recursos com ministra na campanha

As exigências feitas pela ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), para ser candidata em São Paulo e dar palanque ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva causaram mal-estar nas fileiras do PT. Embora não confirme oficialmente, a Coluna do Estadão apurou que Tebet disse a aliados que pode aceitar o convite para se filiar ao PSB do vice-presidente Geraldo Alckmin e disputar o governo paulista ou uma cadeira no Senado. Uma das condições, porém, seria a garantia de que o PT assegurasse os recursos necessários para sua campanha e não a abandonasse no meio do caminho.

Tebet integra a comitiva de Lula que viajou nesta terça-feira, 27, para o Panamá, a fim de participar do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe. A ministra tem dito que só falará sobre seu futuro político depois de conversar com o presidente, o que pode ocorrer nessa viagem.

Nos bastidores, deputados federais petistas afirmaram à Coluna que o partido não aceitará dividir assim o dinheiro do Fundo Eleitoral, mesmo que o vice em uma eventual chapa liderada por Tebet seja do PT.

Tebet diz que só falará sobre seu destino político após conversar com Lula
Tebet diz que só falará sobre seu destino político após conversar com Lula

Pelo cronograma estabelecido, a repartição dos recursos na campanha será feita da seguinte forma: a maior fatia irá para Lula, candidato à reeleição; depois vêm os concorrentes a governos e ao Senado e, por fim, os deputados federais e estaduais.

O plano A de Lula e da cúpula do PT para a sucessão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao Palácio dos Bandeirantes é o titular da Fazenda, Fernando Haddad. O ministro ainda resiste à ideia, mas não deu resposta final e terá novas conversas com o presidente sobre o assunto.

Até agora, Lula não conseguiu montar um palanque forte em São Paulo, o maior colégio eleitoral do País. Filiada ao MDB há quase 30 anos, Tebet tem sido cogitada tanto para o Bandeirantes como para retornar ao Senado.

O problema é que, em São Paulo, o MDB não apenas está fechado com Tarcísio como faz oposição a Lula, embora tenha três ministros no governo federal – além de Tebet, Renan Filho (Transportes) e Jader Filho (Cidades).

Diante deste cenário, Tebet teria de deixar o MDB do Mato Grosso do Sul, onde está filiada, mudar o título eleitoral para São Paulo e migrar para o PSB de Alckmin. Ex-tucano, o vice-presidente deve continuar a fazer dobradinha com Lula na chapa da reeleição.

Em 2024, PT divergiu sobre valor para campanha de Boulos

Pesquisas em poder do PT indicam que Tebet é um dos cinco nomes do chamado “campo progressista” com potencial de crescimento em São Paulo. Os outros são Haddad, Alckmin, Guilherme Boulos (PSOL), hoje ministro da Secretaria-Geral da Presidência e Márcio França (PSB), titular do Empreendedorismo.

Boulos assumiu a Secretaria-Geral há apenas três meses e não deixará o cargo para concorrer às eleições. Em 2024, na disputa para a Prefeitura de São Paulo, ele teve o apoio do PT, contou com Marta Suplicy como vice e foi o desafiante de Ricardo Nunes (MDB). À época, o PT relutou muito em repassar R$ 30 milhões para a campanha de Boulos e só o fez após intervenção de Lula.

Presidente do PSB, o prefeito do Recife, João Campos, confirmou o convite feito a Tebet, ainda no ano passado. França, por sua vez, disse que apoia a entrada da colega no partido, embora mantenha sua pré-candidatura ao Bandeirantes.

 

 

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