‘Rosto está paralisado’, diz advogada do 8 de Janeiro atingida por raio em ato bolsonarista
A advogada Tanieli Telles, que defende condenados do 8 de Janeiro no Supremo Tribunal Federal (STF), foi uma das vítimas do raio que atingiu o ato bolsonarista organizado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) em Brasília no último domingo, 25. Três dias após o episódio, Telles disse estar com parte do rosto paralisada, com a fala comprometida e esquecimento. A descarga elétrica durante a tempestade deixou ao menos 89 feridos.
“Eu senti uma dor muito forte no meu ombro direito e voei para longe. Achei que era um tiro”, afirmou a advogada à Coluna do Estadão. Nos dias seguintes, Telles sentiu formigamento no braço e no rosto, fraqueza, tontura e diarreia, além da impressão de ter a língua queimada.
Agora, os principais sintomas são dificuldade em falar, causada pela paralisação no rosto, e em pensar. Preocupada, ela pretende se consultar com um neurologista em breve.
“Eu estou com um certo atraso para falar. Normalmente estou ligada no 220 volts. Então, às vezes vou falar alguma coisa, eu fico parando, pensando… É como se fosse uma dificuldade cognitiva mesmo, né?”, completou a advogada.

‘Nós assumimos o risco’
Segundo a defensora, os manifestantes atingidos pelo raio haviam assumido o risco do acidente ao permanecerem no local em meio à tempestade. “Estávamos encostados uns nos outros por causa do frio, com os pés afundados na água. Nós assumimos o risco. Foi um efeito da natureza”, afirmou.
Por outro lado, o deputado Nikolas Ferreira, organizador da manifestação bolsonarista, dá outra versão para o episódio. Ele publicou um vídeo em que um coach relaciona o raio à “vontade divina”. O coach Lamartine Posella alega que o episódio está ligado a “batalhas espirituais”.
Advogada defende mulher que pichou estátua no 8 de Janeiro
Tanieli Telles advogada para uma série de condenados no STF pelos atos golpistas do 8 de Janeiro. Ela atua, por exemplo, no processo contra a cabeleireira Débora Santos, que pichou “perdeu Mané” na estátua “A Justiça”.
Outro cliente é o mecânico Fábio Alexandre de Oliveira, que foi filmado sentado na cadeira do ministro Alexandre de Moraes, que havia sido depredada e levada para fora da Corte.

