1 de fevereiro de 2026
Politica

Filiação de Caiado ao PSD reforça chance de chapa da sigla com o MDB, que já tem até nome para vice

A filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD reforçou, entre a ala não governista do MDB, a possibilidade de uma aliança entre os dois partidos na disputa presidencial de 2026. O PSD tem hoje três pré-candidatos à Presidência. Além de Caiado, os também governadores Ratinho Júnior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) são cotados para a disputa. Enquanto isso, no MDB já há até sugestão de vice para uma eventual composição: a deputada federal Simone Marquetto (SP).

Na avaliação do grupo que não é alinhado com Lula no MDB, independentemente de quem seja o candidato escolhido pelo PSD, a filiação de Caiado à sigla reforça a posição do projeto de centro, contribui com o palanque da sigla em Goiás e ainda consolida a parceria dos dois partidos em outros Estados, como no próprio Paraná e no Rio Grande do Sul.

Eduardo Leite, Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior posam com Gilberto Kassad, presidente do PSD
Eduardo Leite, Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior posam com Gilberto Kassad, presidente do PSD

Em Goiás, o PSD ainda não havia se posicionado. Agora, com Caiado no partido, a sigla se juntará à candidatura de Daniel Vilela (MDB), que é vice do atual governador e assumirá o comando do Estado quando Caiado se desincompatibilizar para a próxima disputa eleitoral. Caiado tem como prioridade fazer seu sucessor em Goiás.

O MDB também já é aliado de Eduardo Leite, já que o vice do atual governador do Rio Grande do Sul é do MDB. Gabriel Souza assumirá o cargo com a desincompatibilização de Leite e concorrerá à reeleição ao governo gaúcho.

No Paraná, os partidos também podem caminhar juntos. O candidato de Ratinho Júnior é Alexandre Curi (PSD). Pelo MDB, Alvaro Dias também já foi citado como candidato ao governo, mas a tendência é que concorra ao Senado, compondo a chapa. Curi e Ratinho Júnior inclusive participaram do evento de filiação de Alvaro Dias ao MDB em dezembro.

Em entrevista ao Estadão no último dia 11, o presidente do partido, Baleia Rossi, enfatizou que, com uma eleição polarizada, o MDB tenderia a ficar neutro, mas que com uma candidatura forte ao centro o cenário poderia mudar.

“Agora, o Ratinho Júnior, que é governador do Paraná, pode surgir como um candidato mais ao centro. Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, também é uma possibilidade de candidatura mais ao centro. A própria candidatura do Caiado é uma candidatura que pode ganhar tração. Essas candidaturas que têm mais um perfil de centro, de mais equilíbrio, mais diálogo e mais moderação, combinam mais com o MDB”, disse ele na ocasião.

Simone Marchetto elencada como nome a vice

Na ala emedebista que é entusiasta da aliança, já até a defesa de um nome para oferecer como vice. A deputada Simone Marquetto não quer mais disputar a eleição para deputada no maior colégio eleitoral do País e tem como trunfos apontados o fato de ser mulher, ex-prefeita e ser ligada ao movimento católico, inclusive com o apoio de figuras populares como o Frei Gilson.

Apesar da nova fialiação, Ratinho ainda é o primeiro da fila

Nos bastidores, Kassab avisou aliados há cerca de 10 dias que estavam conversando com Caiado. A leitura no PSD é que o governador goiano reforça a interlocução com o agronegócio e fortalece os quadros da sigla pois tem força política para encabeçar uma chapa presidencial, ser vice em uma composição ou até mesmo disputar o Senado.

De acordo com um integrante do PSD, apesar da disposição de Caiado e Leite se candidatarem a presidente, o primeiro da fila ainda é Ratinho Jr. Essa fonte afirma que Kassab foi transparente sobre este fato durante a conversa para atrair os dois outros governadores.

Isolamento de Flávio e demonstração de força de Kassab

Entre os partidos de centro e centro-direita, a visão também é de que a ida de Ronaldo Caiado para o PSD ajudou a isolar Flávio Bolsonaro e fortalecer Gilberto Kassab, que tirou mais um nome da corrida presidencial.

Há a avaliação de que não existe mais possibilidade de uma união da direita sem um acordo que passe pelo PSD e por Kassab. Por isso, ele ficaria também mais empoderado por ter mais uma carta para negociar, inclusive em uma eventual articulação para ser vice de Tarcísio de Freitas em São Paulo, o que já indicou nos bastidores querer.

O próprio Tarcísio e os partidos da base do governador têm rechaçado essa hipótese até o momento. Lideranças paulistas do PL pregam que a candidatura presidencial do PSD inviabiliza a permanencia do partido na vice de Tarcísio, que estará no projeto presidencial de Flávio Bolsonaro.

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *