Ante risco de fuga, Polícia põe namorado de ‘delegada do PCC’ em presídio de segurança reforçada
Preocupada com a possibilidade de fuga de Jardel Neto Pereira da Cruz, o ‘Dedel’, a Polícia de São Paulo decidiu promover sua transferência na manhã desta quinta, 28, de uma cela do 26.º Distrito Policial (Sacomã) para um presídio de segurança reforçada. ‘Dedel’ é namorado da delegada de carreira da Polícia paulista, Layla Lima Ayub. Os dois foram presos na manhã de sexta, 16, em operação conjunta da Corregedoria da Polícia Civil e do Gaeco, grupo de promotores que combate o crime organizado.
A remoção de ‘Dedel’ foi realizada em caráter de urgência depois que a polícia paulista apurou junto a órgãos de Inteligência que ele é o ‘Geral do Estado’ do Pará, referência ao posto mais graduado na hierarquia do PCC na região Norte do País.

Não havia indicativo concreto de uma eventual ação armada de faccionados para resgate de ‘Dedel’ da Delegacia do Sacomã, dotada de frágeis instalações, mas policiais veteranos – habituados ao enfrentamento de organizações violentas – não descartavam essa possibilidade. Após um alerta sobre o poderio do prisioneiro nos escalões superiores do PCC, os policiais se convenceram da importância de sua remoção.
Layla Lima Ayub, de 36 anos, alcunhada ‘delegada do PCC’, continua em regime de prisão temporária no 6.º Distrito Policial, bairro do Cambuci, região central da capital. Ela conheceu ‘Dedel’ atuando como advogada no Pará.
A delegada e o faccionado foram presos em um sobrado na zona Oeste da cidade. Eles estavam residindo nesse endereço desde o ano passado, quando chegaram a São Paulo para a solenidade de posse dela no Palácio dos Bandeirantes, em evento que contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas, em 19 de dezembro.
No dia 28, mesmo não podendo mais advogar, Layla retornou a Marabá para defender em audiência de custódia um cliente de outra facção, o Comando Vermelho. Foi o seu erro. O Ministério Público de São Paulo e a Corregedoria foram informados da ligação da delegada com faccionados.
Interrogada, ela admitiu. “Dei bobeira.”
